Atentados após acordo matam três em Israel
Jerusalém, 05 (AE-AP) - Menos de 12 horas após a assinatura de um acordo que retoma o processo de paz entre israelenses e palestinos, dois carros-bombas explodiram em Israel, matando três pessoas e ferindo uma.
Em um dos principais itens do pacto Israel-Autoridade Palestina, assinado na madrugada de sábado para domingo (05) em Sharm El-Sheik, no Egito, pelo primeiro-ministro israelense Ehud Barak e o líder Yasser Arafat, a Autoridade Palestina compromete-se a impedir ataques terroristas contra Israel.
O primeiro e mais grave atentado ocorreu na cidade israelense de Tiberíades, localizada no litoral do Mar da Galiléia, no norte do país. Carregado de explosivos, um Fiat Uno explodiu, matando seus dois ocupantes e ferindo gravemente um pedestre.
A polícia israelense interditou a área e iniciou ampla investigação. "Não sabemos ainda se a bomba explodiu antes da hora ou se os ocupantes do veículo eram, na realidade, palestinos camicases", comentou um investigador. A polícia israelense procura identificar os ocupantes do veículo.
"Foi uma terrível explosão", disse uma testemunha israelense que mora perto do local. Muitas vidraças de prédios da vizinhança romperam. "Havia pedaços de ferro retorcido espalhados por toda parte."
Tiberíades é uma cidade muito procurada pelos israelenses para passar férias e festas religiosas. Na sexta-feira - início da festa do Ano Novo judaico, a afluência de turistas deverá aumentar muito na região.
Organizações extremistas palestinas, contrárias ao acordo de paz, ficaram furiosas com o pacto firmado entre Arafat e Barak no Egito, classificando-o de "traição à causa". E ameaçaram realizar uma série de atentados em Israel.
Outro atentado ocorreu perto do porto de Haifa. Um carro-bomba explodiu, matando seu ocupante.
Policiais israelenses advertiram a população para uma possível onda de atentados em decorrência da insatisfação dos radicais palestinos com a retomada das negociações de paz. "Este processo vai fortalecer a segurança de Israel e reunirá as duas partes no combate ao terrorismo", disse Barak.
"Precisamos cumprir o acordo com urgência, caso contrários os inimigos da paz voltam a ganhar força", destacou Arafat.
A assinatura do documento - uma versão ampliada do acordo de Wye Plantation - recebeu elogios no Ocidente e críticas em alguns países árabes.
O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, disse que fará o possível para alcançar um objetivo maior: uma paz ampla e duradoura em toda a região, que incluia a Síria e o Líbano.
A Liga árabe saudou o evento, mas pediu uma "atitude honesta" a Israel, marcada pelo cumprimento integral dos dispositivos do acordo "dentro das datas previstas".
A Síria advertiu Israel, ressaltando que a paz completa só será possível com a retirada de todas as tropas israelenses dos territórios ocupados, inclusive as Colinas do Golan e o sul do Líbano.
O Irã definiu o acordo como "resultado de pressões impostas pelo regime sionista".
Para a Frente Popular de Libertação da Palestina, os entendimentos de Sharm El-Sheik "foram piores, para os palestinos, que os obtidos em Wye Plantation". Já o líder dos colonos judaicos na Cisjordânia, Aharon Domb, disse que, "para pesar dos judeus, o acordo de Wye foi melhorado para os palestinos".





