Atentado destruiu documentos do MP
Curitiba - Na madrugada de 28 de dezembro de 2000, um grupo não identificado incendiou a casa onde funcionava a Promotoria de Investigações Criminais (PIC), em Curitiba. Todas as salas onde os promotores trabalhavam ficaram queimadas. Mais de 90% dos arquivos em papel e equipamentos eletrônicos foram perdidos, inclusive depoimentos gravados em vídeo. Na época, o vigia que estava no local viu apenas duas pessoas com capuzes e luvas, e que usavam rádios HTs para comunicação com outros integrantes da quadrilha que estariam nas imediações.
Os incendiários jogaram gasolina na casa para que o fogo atingisse todos os cômodos ao mesmo tempo. Toda a ação durou poucos minutos. Por volta das 5 horas, o Corpo de Bombeiros foi acionado por vizinhos da PIC, que fica na Rua Agostinho Leão Junior, no bairro Alto da Glória, na área central. O estrago só não foi maior porque os incendiários deixaram os vidros das janelas fechados. Com pouco oxigênio, as labaredas não chegaram a atingir o teto e a estrutura da casa.
O promotor Dartagnan Abilhoa, responsável pela PIC, considerou o incêndio como mais uma tentativa de intimidar o trabalho da promotoria. Entre os documentos existentes na PIC, mas com cópias guardadas em outros locais seguros, estavam materiais sobre as investigações de roubo e desmanche de carros e o narcotráfico no Estado. Em três meses, a PIC havia sofrido três atentados.
Uma semana antes do incêndio, a PIC havia recebido cópia do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, do Congresso Nacional. A CPI denunciou quase uma centena de paranaenses entre empresários, políticos, funcionários de alto escalão do governo do Estado e policiais que estariam envolvidos com o tráfico de drogas. (M.G.)





