São Paulo, 21 (AE) - O promotor José Carlos Blat afirmou hoje que a tentativa de homicídio contra o presidente do Sindicato dos Camelôs Independente, Afonso José da Silva, foi "queima de arquivo". Blat, em conjunto com outros promotores e a polícia, investiga suposto esquema de corrupção nas administrações regionais.
Silva recebeu pelo menos quatro tiros na região do abdome e do tórax ontem (20) à noite. Pernambucano de 29 anos, ele deixou o emprego de balconista numa loja do bairro do Brás para ganhar a vida como vendedor ambulante e acabou tornando-se líder de uma entidade idependente. O crime ocorreu 15 dias depois de o líder dos camelôs do Largo da Concórdia ter denunciado um susposto esquema de irregularidades para ajudar na eleição do deputado estadual eleito, Hanna Gharib (PPB).
Gharib disse hoje "torcer pela recuperação de Silva, contra quem moveu processo judicial por calúnia e injúria". Silva foi atingido por volta das 18h30 de sábado, quando abriu a porta para dois homens oficialmente ainda não identificados pela polícia. Eles perguntaram pelo nome de José Afonso da Silva e, diante da confirmação, começaram a atirar.
A secretária do sindicato e vizinha de Silva, Geni Alexandre da Silva, conhecida como Sandra e Loira, correu em direção à casa do presidente da entidade. Um dos assassinos teria falado ao outro para matá-la, mas acabaram fugindo em seguida.
"Tem todas as características de uma encomenda, porque confirmaram ser ele era a pessoa que procuravam", disse hoje o delegado da Divisão de Registros Diversos (DRD), Naief Saad Neto
que também participa das investigações da máfia dos fiscais. O homicídio está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Como Silva fez denúncias sobre o suposto esquema de corrupção nas administrações regionais, o delegado Romeu Tuma Júnior, que iniciou investigações sobre a corrupção na Secccional Sul e agora foi transferido para a Delegacia de Capturas do Departamento de Investigações contra o Patrimônio (Depatri).
Os delegados e os promotores que investigam o suposto esquema de corrupção disseram que não há elemendos para acusar ninguém. "Temos de descobrir quem são os assassinos e porque tentaram matar o José Afonso da Silva", disse Saad Neto.
Silva já teve problemas com os próprios ambulantes e foi denunciado na polícia pelo camelô Reynaldo Ferreira de Santana. Hamarad Pereira de Oliveira, camelô e amigo pessoal de Silva, disse que o presidente da entidade sofrera ameaça de morte depois de fazer a denúncia, mas não deu importância para a oferta de proteção policial.
Os policiais que investigam o caso estão checando se há relação com uma tentativa de homicídio ocorriga em Guarulhos. Uma vendedora ambulante e associada ao sindicato, conhecida apenas como Maria, e seu filho também foram vítimas de uma tentativa de homicíos. Homens fizeram vários disparos contra Maria e o seu filho. Eles não foram atingidos e prestaram depoimento no Depatri na madrugada de hoje.
RECUPERACAO - De acordo com o boletim médico da Santa Casa, Silva foi submetido a cirurgia e continua na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Está em recuperação e recebeu a visita do irmão
Joel, e da sua mulher, Ezenati Farias, de 22 anos. "Vou sair dessa e isso não pode ficar impune", disse Silva.

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