Atentado à bomba mata líder do PSOE no País Basco
Vitoria, Espanha, 22 (AE-AP) - Um atentado à bomba atribuído à organização separatista basca ETA (Pátria Basca e Liberdade) matou um líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) em Vitoria, capital do País Basco, o guarda-costas dele e feriu vários pedestres, informou o Ministério do Interior da Espanha. O basco Fernando Buesa, de 53 anos, secretário-geral do PSOE basco, e o guarda-costas, Jorge Diez Elorza, aproximavam-se de seu carro, quando houve a explosão. "Estamos investigando se o explosivo estava no interior do carro ou numa lata de lixo", disse um técnico da Guarda Civil espanhola. "Mas é certo que a bomba foi detonada à distância por controle remoto."
Buesa e o guarda-costas ficaram desfigurados, segundo um paramédico que chegou minutos depois ao local - perto do campus da Universidade de Vitoria e a cerca de 200 metros do Palácio do Governo. "O médico examinou as duas vítimas estiradas no chão, balançou a cabeça e cobriu os corpos com um lençol", disse uma estudante chorado. Ela contou que houve um princípio de pânico na escolas, com os alunos correndo sem direção e gritando. "Do local da explosão saia uma grande nuvem de fumaça", acrescentou ela. Vários veículos estacionados ali pegaram fogo. Muitos pedestres receberam ferimentos leves, segundo um paramédico. "Alguns tiveram os tímpanos rompidos."
O primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, condenou o atentado. Em campanha eleitoral, ele prometeu manter a "linha dura de seu governo contra o terrorismo basco". As eleições ocorrerão em 12 de março.
Buesa, casado e pai de três filhos, iniciou a carreira política em 1979. Era porta-voz da oposição socialista no Parlamento basco e já havia sido ameaçado de morte pelos separatistas que viam nele um representante do "sistema opressivo espanhol". Ele foi o segundo dirigente socialista basco assassinado pelos separatistas. Em fevereiro de 1996, foi morto a tiros em San Sebastián Fernando Múgica Herzog - candidato do PSOE às eleições gerais que ocorreriam em 3 de março daquele ano. Dois anos depois, em junho de 1998, os extremistas mataram o conservador basco Manuel Zamarreño, vereador da cidade de Rentería pelo Partido Popular (PP).
A nova ação terrorista ocorre um mês depois do assassinato de um tenente-coronel do Exército em Madri, também atribuído à ETA, que rompeu no fim do ano passado trégua unilateral adotada em junho de 1998.
Em consequência do atentado, os partidos políticos suspenderam hoje (22) a campanha eleitoral. E a maioria de seus líderes viajou para Vitória. O secretário-geral do PSOE, Joaquím Almunia, interrompeu viagem que fazia às Canárias e retornou ao Continente.





