Curitiba- Praticamente toda população sabe que dor no peito com irradiação para o braço pode ser um sintoma de infarto do coração. Mas poucos sabem reconhecer os sintomas da principal causa de morte no Brasil: o Acidente Vascular Cerebral (AVC). Conhecido popularmente como derrame, a doença é responsável por 30% dos óbitos registrados no País. Em 2004, foram 90.930 mortes, sendo 65.482 por infarto. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) demonstram, ainda, que em todo mundo a doença é a primeira causa de incapacitação e de redução da qualidade de vida.
Sem saber reconhecer quando uma pessoa está tendo um derrame, o atendimento ao doente paciente ocorre tardiamente. Isso reduz as chances de sobrevivência e tornam as sequelas mais graves. Estudos mostram, por exemplo, que pacientes tratados em menos de 90 minutos aumentam as chances de recuperar as funções cerebrais.
Mesmo os pacientes que sobreviveram a um AVC correm riscos, pois 70% não retornam ao trabalho, 50% morrem no primeiro ano após o derrame, 30% necessitam de auxílio para caminhar, 20% ficam com sequelas graves e incapacitante. ''Os efeitos de um AVC muitas vezes são permanentes porque as células cerebrais mortas não podem ser repostas'', explica o coordenador do setor de neurologia vascular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ayrton Massaro.
Para alertar a população sobre o problema, a Academia Brasileira de Neurologia realizou ontem, no Dia Nacional do AVC, uma campanha nacional de esclarecimento. Em Curitiba, médicos e enfermeiros do Hospital das Clínicas (HC) e Hospital Vita permaneceram durante todo o dia em dois postos de informações. A população pôde medir a pressão arterial, um dos principais fatores de risco de AVC, e receber orientações sobre a doença.
Existem dois tipos de AVC: o isquêmico e o hemorrágico (ver infográfico). Nos dois casos, a falta de sangue no cérebro deixa o tecido do órgão sem oxigênio, causando danos e morte dos neurônios. Assim, o atendimento rápido ao paciente é essencial para que o cérebro receba oxigênio o mais rápido possível.
Um dos principais sintomas de derrame é a redução de força ou sensibilidade em um dos lados do corpo. Outra característica do AVC é que ele ocorre subitamente, fazendo com que a pessoa tenha dificuldade súbita para andar, para falar ou para enxergar. Nesses casos, o importante é procurar atendimento médico rapidamemnte.
Os médicos alertam para a necessidade de que a população com maior risco de ter um AVC busque orientação médica para sua prevenção. São consideradas fatores de risco, doenças já existentes como hipertensão, diabetes, colesterol alto e problemas cardíacos, bem como a obesidade, fumo e vida sedentária. Pessoas com casos anteriores na família também estão entre a população de risco.
Outra preocupação é com as pessoas que já tiveram a doença: elas sofrem um risco 30% maior de ter outro AVC, desta vez com sequelas mais fortes.

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