Atendimento a pacientes com planos de saúde garante mais recursos, mas causa polêmica
São Paulo, 30 (AE) - Hospitais públicos começaram a atender pacientes com planos de saúde como uma forma de aumentar os recursos. O primeiro centro a adotar essa prática foi o Instituto do Coração (Incor), há cerca de 20 anos. Hoje, 25% do atendimento é para pacientes com convênios. O Hospital das Clínicas (HC), do qual o Incor faz parte, começou a atender os portadores de planos de saúde em 1995. No ano passado, o atendimento de conveniados representou cerca de 4% do total do HC.
Esse serviço permitiu que o complexo, composto de seis institutos, arrecadasse verba extra-orçamentária de R$ 70 milhões, dos quais R$ 60 milhões eram oriundos do Incor. O repasse realizado pelo governo estadual em 1998 foi de R$ 270 milhões e do Sistema Único de Saúde (SUS), R$ 130 milhões. "As verbas federal e estadual não são suficientes para manter um hospital como o Incor, considerado um centro de referência da América Latina", disse Adib Jatene, ex-diretor do Incor.
Irineu Tadeu Velasco, presidente do Conselho Deliberativo do HC, garante que o recurso extra-orçamentário é usado para melhorar a qualidade do atendimento dos pacientes do SUS. O dinheiro é também usado para manter médicos qualificados no hospital universitário. Para o Ministério Público, no entanto
o atendimento diferenciado é discriminatório e deve acabar. O HC oferece para os pacientes com convênios um serviço chamado porta dupla: atendimento médico sem fila e quartos particulares. O MP discute o problema há quase dois meses. Segundo Jatene, o deputado Lúcio Alcântara (PSDB-CE) prepara uma proposta de lei que regula o atendimento diferenciado de hospitais universitários.





