Atendimento a cegos será reduzido
Vânia Moreira
De Umuarama
O corte de professores para redução de despesas pode comprometer o atendimento aos deficientes visuais de Umuarama e região a partir do ano que vem. Para cortar despesas, a Secretaria de Educação estuda a possibilidade de reduzir o horário de atendimento aos adultos. Isto implicará no corte de dois dos quatro professores da escola que funciona no Colégio Estadual de Umuarama. O atendimento de 140 horas semanais será reduzido para 80 horas semanais.
Segundo os professores, os adultos não poderão mais utilizar o espaço do colégio, apenas o Centro de Educação Aberta Continuada a Distância (Cead), o antigo CES. O problema, segundo a coordenadora do Centro de Atendimento Especializado em Deficiência Visual, é que o Cead não dispõe de espaço
físico para as atividades realizadas atualmente. Os professores terão de se limitar a trabalhar apenas com alfabetização.
Segundo a coordenadora da escola, Rosana Urbanski Rodrigues, o deficiente visual tem as mesmas condições de ser alfabetizado que uma pessoa normal, mas é preciso mais tempo, espaço e recursos. Estes cortes se forem confirmados vão limitar muito o trabalho da escola, prevê a professora. O Núcleo Regional de Educação em Umuarama confirma as mudanças, mas adianta que está sendo estudada uma proposta alternativa para não prejudicar os alunos.
A escola para cegos funciona no Colégio Estadual desde 1986 e é a única na região. Atende 60 pessoas, entre adultos e crianças, totalmente cegos, com visão reduzida ou com ambliopia (olho preguiçoso). A pessoa não tem nenhum distúrbio aparente, mas não consegue enxergar. No centro, os alunos aprendem de tudo. Como se locomover, realizar sozinhos tarefas do dia-a-dia, aprender a ler e escrever em braile. Também têm aulas de informática.
Além destes programas, o centro desenvolve um trabalho com adultos cegos: atividades físicas, promoção da auto-estima e música. Dezoito alunos formaram há dois anos o Coral Luiz Interior, no qual alguns tocam instrumentos e todos cantam.
O governo mantém três professoras especializadas e o município cedeu mais uma. A prefeitura também cede uma merendeira, material e outros recursos necessários. Parte das despesas é bancada pela Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Visuais (Apadevi). A Apadevi mantém uma cozinha alternativa no colégio. Fabrica e vende sucos, polpa de fruta, geléias, doce de leite e conservas salgadas.





