Rio, 28 (AE) - Os cuidados com o meio ambiente, esquecidos durante a construção dos antigos projetos industriais do setor de petróleo, como a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), são hoje condição essencial para os investimentos no setor. "Hoje você não consegue mais construir e fica cada vez mais difícil operar uma indústria sem obedecer às normas de preservação", afirmou o presidente da Rio Polímeros, Roberto Villa.
Villa citou como exemplo desta preocupação o próprio caso da Rio Polímeros, que está construindo uma fábrica de polietileno (plástico de embalagens) dentro do projeto do Pólo Gás-Químico do Rio, em Duque de Caxias, com investimento de quase US$ 1 bilhão. Dois terços serão financiados por instituições que não liberam o dinheiro se o projeto estiver em desacordo com as normas ambientais, afirmou o presidente da empresa.
Os financiamentos são negociados com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e as agências de incentivo às exportações American Eximbank e Sace, da Itália. "As três instituições não aceitam sequer marcar entrevista se o projeto não estiver dentro das normas do meio ambiente", afirmou Villa.
Negociação - A adaptação a estas normas, antes mesmo da construção, exigiu quase dois anos de negociação com a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema), lembrou o presidente da Rio Polímeros. Além de ter elaborado o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), de três volumes, e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima), a empresa ainda teve de fazer uma audiência pública em Caxias, antes de obter licença da Feema para o início do projeto - que passará por novas vistorias da entidade estadual.
Villa não sabe dizer quanto, exatamente, será investido em segurança ambiental. Segundo o executivo, o cálculo é difícil de ser feito, "quando se faz o negócio bem feito". Apenas em unidades de tratamento de gases e líquidos, devem ser aplicados US$ 60 milhões. Mas o engenheiro também considera o gasto ambiental, as despesas com treinamento da população de Duque de Caxias e o R$ 1,5 milhão doados à prefeitura para elaborar um plano de melhorar as condições de vida de seus cidadãos. As duas medidas, lembrou, evitam a proliferação de favelas e da pobreza - que também agridem o meio ambiente.

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