Tomé Açu, PA, 01 (AE) - O madeireiro gaúcho Glênio Dias Estefânio, de 45 anos, dono da Fazenda Diamante, em Tomé-Açu (300 quilômetros ao leste de Belém) foi morto a tiros no domingo, durante confronto com dez agentes da Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe), da Polícia Civil. O confronto entre Estefânio e a polícia é resultado da operação especial para investigar o comércio ilegal de madeira no Estado, a partir de documentos fiscais. O Pará é o maior exportador de madeira nativa do País e abastece tanto o mercado externo quanto o interno.
Os policiais encontraram na fazenda 15 trabalhadores adultos e duas crianças mantidos há pelo menos oito meses em regime de semi-escravidão. Eles trabalhavam em troca de casa e comida. O delegado James Moreira de Souza, da Delegacia de Ordem Administrativa diz que a presença dos trabalhadores na fazenda não configurou cárcere privado, já que eles tinham o direito de sair da propriedade, desde que se comprometessem a retornar. "Eles não iam embora com medo das constantes ameaças de morte", declarou o delegado.
A polícia entrou na Fazenda Diamante para cumprir um mandando de busca e apreensão de armas expedido pela juíza do município, Sara Castelo Branco. Foram encontradas três escopetas, um revólver calibre 38, um carro-forte similar aos utilizados pelos bancos, coletes à prova de balas e grande quantidade de munição.
As denúncias contra Estefânio partiram da própria comunidade. O prefeito, vereadores, comerciantes, lideranças comunitárias e a juíza comunicaram à polícia a existência de pistoleiros na cidade vizinha de Quatro Bocas e apontaram a Fazenda Diamante como um dos principais redutos na região. Segundo Souza, como essa cidade tem três saídas diferentes que dão acesso ao sul do Pará, é propensa a abrigar pistoleiros.
De acordo com os policiais, assim que Estefânio e alguns pistoleiros viram os dois carros da polícia entrarem na porteira, começaram a atirar e foram esconder-se na área de floresta da fazenda, onde a mata é fechada. Estefânio levou quatro tiros no peito e cabeça e ainda chegou a ser levado para a Unidade Mista de Saúde de Tomé-Açu, onde morreu antes de ser atendido. Os pistoleiros que acompanhavam o madeireiro fugiram pelo mato.
Madeira - Estafânio estava em Tomé-Açu há seis anos, vendendo madeira da sua fazenda (de aproximadamente 350 mil hectares) às serrarias da região. Há cerca de um ano, segundo a polícia, ele passou a ameaçar a população e a aplicar golpes no empresariado local. Uma das vítimas, o proprietário da serraria Coelho Limitada, contou à polícia como funcionava o esquema.
Estefânio vendia às serrarias o direito de explorar uma determinada área da fazenda. A empresa elaborava um projeto de manejo florestal, submetia ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e cortava as árvores. Na hora de recolher as toras, os empregados da serraria eram ameaçados de morte e impedidos de carregá-las. Ou seja: a madeira era vendida, mas não entregue.

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