ATENÇÃO ATENÇÃO ATENÇÃO . Professores do Rio param em protesto contra piso salarial e evasão na rede15/Mar, 19:35 Por Clarissa Thomé Rio, 15 (AE) - Professores da rede estadual de ensino do Rio paralisaram, hoje, suas atividades em em protesto contra a evasão de docentes e o piso salarial de R$ 136. Segundo o Sindicato Estadual dos Profissionais do Ensino (Sepe), pelo menos 12,6 professores por dia útil deixaram as salas de aula da rede estadual, no ano passado. O déficit nas escolas já chega a 20 mil docentes, de acordo com a entidade. A adesão ao protesto foi de cerca de 40%, segundo o Sepe. A secretária estadual de Educação, Lia Faria, nega os dados divulgados pelo sindicato. Segundo Lia Faria, "a falta de docentes é pontual e será resolvida até o fim da semana". De acordo com a secretária, o funcionamento foi normal nas escolas estaduais. Evasão - Um dos sintomas mais preocupantes da evasão de professores, segundo Danilo Serafim, coordenador do Sepe, é a aprovação de alunos por decreto em matérias em que falta professor, como matemática, química, física e geografia. "O aluno cursa todo o ensino médio sem assistir a essas aulas, é aprovado por decreto e depois fracassa no vestibular", afirma Serafim. Muitos já chegam à 5.ª série com educação defasada porque não tiveram professores também no ensino fundamental. De acordo com dados do Sepe, que teriam sido fornecidos pela Secretaria Estadual de Educação (SEE), 52.688 professores trabalham na rede estadual, 1.339 estão lotados em órgãos centrais, 1.081 em tribunais de contas, gabinetes de deputados e outras secretarias e 22.958 fazem parte dos quadros da SEE. "Não reconheço esses dados e quero que eles (os sindicalistas) me apresentem os nomes e matrículas desses profissionais, como eu estou fazendo", afirmou Lia Faria. Para ela, houve manipulação dos dados. "Entre os 52.688 professores há aqueles que têm dupla matrícula na rede estadual", afirmou Lia. A SEE teria cedido 870 professores a outros órgãos - por decreto do governador Anthony Garotinho, de outubro passado, esses profissionais têm a opção de permanecer naqueles cargos ou reassumir o posto nas escolas. Outros 350 trabalham em funções internas da SEE que não são burocráticas, ainda segundo a secretária. "Não posso colocar um débil mental para fazer a inspeção escolar, preciso de professores competentes", afirmou Lia. Salário - O coordenador Danilo Serafim acredita que o salário baixo é a principal causa do abandono de emprego - e exoneração, em seguida - dos professores da rede estadual. Ao piso de um salário mínimo, o governo acrescentou gratificações e abonos que somam R$ 379,08 mas não foram incorporados ao salário nem contam para cálculos de benefícios como triênio e plano de carreira. A última gratificação - R$ 100, concedida em 05 de janeiro - não foi estendida aos aposentados. Os sindicalistas se reúnem amanhã com o secretário estadual do Trabalho, Gilberto Palmares, para descutir a questão. "Palmares, que foi sindicalista, se ofereceu para fazer a negociação" explicou Lia.

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