São Paulo, 03 (AE) - Três questões devem catalisar a atenção do mercado nos três dias que restam desta primeira semana de novembro e com elevada probabilidade de interferir no comportamento dos principais ativos: 1) o resultado da quarta revisão do acordo firmado entre o governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) 2) as declarações do ministro interino da Fazenda, Amaury Bier, ao jornal O Globo desta terça-feira, confirmando estudos da equipe econômica sobre a livre conversibilidade do real 3) a perspectiva de a balança comercial fechar outubro com déficit de aproximadamente US$ 200 milhões. Se esta estimativa for confirmada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o déficit consolidado da balança comercial em 10 meses do ano vai superar US$ 900 milhões, diminuindo a chance de o governo brasileiro confirmar a meta (indicativa) de déficit de US$ 1 bilhão no ano, acordada com o FMI e confirmada há apenas dois dias. O ministro interino, Amaury Bier, que substitui o ministro Pedro Malan que hoje discursa em Paris, antecipou os termos da quarta revisão do acordo com o Fundo na segunda-feira e, segundo relato da jornalista Lu Aiko Otta, o governo acredita que o déficit comercial de US$ 1 bilhão em 1999 será convertido em superávit de US$ 5 bilhões ao final de 2000.
Apesar da tranquilidade com que um mercado de plantão recebeu as informações de Bier, elas inspiram uma avaliação mais detalhada dos termos do acordo que serão apreciados pela direção do FMI no dia 29 de novembro. Motivo: o Brasil não cumprirá à risca dois itens do acordo, sendo que um deles (superávit primário em proporção do PIB) é classificado como critério de desempenho no Memorando Técnico de Entendimentos divulgado pelo governo em agosto. Bier explica, que o superávit será alcançado em reais (R$ 30,185 bilhões), mas ficará um pouco abaixo da marca de 3,1% do PIB, porque a economia brasileira teve desempenho melhor que o esperado. O outro item que não será cumprido refere-se ao endividamento líquido do setor público que
explica Bier, vai superar R$ 513,519 bilhões negociados com o FMI.

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