Atenção a professores será priorizada
Agência Folha
De São Paulo
Reduzir a distorção entre idade e série e investir na formação de professores são as duas linhas de atuação que o governo brasileiro pretende priorizar nos próximos anos com o objetivo de melhorar a qualidade da educação no País. Essas são duas das propostas que o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, vai apresentar durante a reunião de balanço do programa EFA (Education for All ou Educação para Todos, em português), que ocorre de hoje a quarta-feira em Recife (PE).
O evento vai reunir ministros da Educação dos nove países mais populosos do mundo (Bangladesh, Brasil, China, Egito, India, Indonésia, México, Nigéria e Paquistão). Os participantes vão discutir e avaliar a educação em seus países.
O EFA é um programa coordenado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Ele reúne 180 nações, que se uniram para buscar soluções conjuntas para erradicar o analfabetismo, universalizar o acesso à educação e melhorar a qualidade. Em 2000, estão programados diversos encontros de balanço e avaliação do programa.
No caso do Brasil, as metas para o futuro se baseiam no que já foi alcançado, principalmente no que diz respeito à ampliação do atendimento e à modernização da legislação, que permitiu mudar a estrutura e a organização do ensino.
Um exemplo dos avanços é o aumento do número de matrículas no ensino fundamental -de 91 a 98, a taxa de escolarização líquida da população de 7 a 14 anos subiu de 86% para 95,3%. Entre as mudanças na legislação, vale destacar a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), que permitiu a canalização de recursos para o ensino fundamental e que provocou a melhora da remuneração dos professores.
Só vamos avançar no sentido de melhorar a qualidade do ensino se equacionarmos o problema da distorção idade/série , diz Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).
As estatísticas evidenciam a dimensão do problema, que já começa a ser tratado por meio de programas como as classes de aceleração, por exemplo. No Brasil existem 8,5 milhões de jovens com mais de 15 anos no ensino fundamental que, devido à idade, deveriam estar cursando o ensino médio. Outro dado: cerca de 16 milhões de alunos do ensino fundamental estão atrasados dois ou mais anos porque repetiram de ano ou abandonaram a escola.
Quanto aos professores, a intenção é criar condições para que eles se requalifiquem de modo a serem capazes de formar pessoas dentro do novo perfil exigido pela sociedade e pelo mercado de trabalho -capazes de aplicar no dia-a-dia o que aprendem na escola e com mais responsabilidade social.
A intenção é, portanto, ampliar os programas de formação (continuada e em serviço) dos professores, bem como implementar uma política de valorização do magistério, por meio de políticas salariais e de carreira. Sérgio Haddad, diretor-executivo da ONG Ação Educativa, concorda que o Brasil de fato melhorou significativamente nos últimos dez anos e que o desafio, agora, é melhorar a qualidade. Nesse processo, o professor ocupa uma posição central.
Ele não deve ser tratado como um objeto das políticas, como vem ocorrendo, mas como um agente das mudanças. Tem de ser ouvido e valorizado por meio de políticas que o tratem como um profissional.





