Grozny, 24 (AE-AP) - Ataques aéreos russos nos arredores da capital chechena mataram hoje (24) pelo menos cinco pessoas e provocaram a fuga de milhares, com a intensificação da campanha aumentando temores de outra guerra na república separatista.
Os bombardeios seguiram-se aos ataques de quinta-feira, nos quais aviões russos atingiram alvos dentro e nas proximidades de Grozny no primeiro grande assalto à cidade desde a guerra (1994-96) entre forças federais e separatistas chechenos.
O governo russo alegou que está tentando eliminar militantes islâmicos baseados na Chechênia, que por duas vezes invadiram a região vizinha russa do Daguestão desde o início de agosto. Os militantes também têm sido vinculados a aparentes atentados terroristas que mataram 300 pessoas em Moscou e em outras cidades russas este mês.
Os ataques das últimas 24 horas tiraram de funcionamento a refinaria de petróleo de Grozny - um componente-chave da abalada economia da região - e paralisaram a rede de distribuição de gás da cidade, disseram autoridades de energia da Chechênia, segundo a agência de notícias Itar-Tass.
O suprimento de gás para residências e indústrias na Chechênia foi completamente suspenso, afirmou Solombek Khadzhiyev, chefe da seção chechena do gigante de gás natural russo Gazprom.
Os bombardeios de hoje mataram pelo menos cinco pessoas e feriram 21, segundo testemunhas e autoridades locais. Os ataques destruíram vários prédios residenciais e alvejaram um campo de pouso militar que não estaria mais sendo usado.
Milhares de pessoas estão em fuga. Na tarde de hoje, uma fila de cerca de 5.000 veículos congestionava uma rodovia que leva à república vizinha de Ingushetia.
Um total de 300.000 chechenos teriam abandonado suas casas, disse o Ministério para Emergências checheno, segundo a Itar-Tass.
Os ataques aéreos e a concentração de tropas russas ao longo da fronteira entre a Chechênia e o Daguestão têm criado temores de uma guerra total na Chechênia. A Rússia também mobilizou estimados 13.000 soldados para a fronteira, numa tentativa de desencorajar uma nova invasão de militantes.
Oficiais chechenos afirmaram que a Rússia está planejando enviar tropas terrestres para a Chechênia nos próximos dias, mas autoridades russas têm repetidamente negado ter tais planos.
O exército da Rússia sofre atualmente uma carência de soldados treinados para combate em terra, e o governo parece não estar querendo repetir o tipo de ultraje público que foi provocado pelas pesadas perdas entre tropas russas durante a guerra de 1994 a 1996.
Os ataques aéreos de hoje atingiram uma torre de televisão, um centro de comunicação celular, e o distrito da cidade onde vive o presidente checheno, Aslan Maskhadov, informou a mídia russa.
Moscou tem garantido que seus ataques aéreos não visam diretamente o governo checheno, mas sim militantes islâmicos e instalações que eles usam.
O primeiro-ministro Vladimir Putin chamou hoje a campanha russa de uma guerra contra o terrorismo internacional.
"Trata-se de uma guerra que o terrorismo internacional declarou contra a Rússia a fim de capturar vários territórios que são ricos em recursos naturais", disse Putin, durante uma viagem à nação centro-asiática do Casaquistão.
Militantes chechenos dizem que querem formar um Estado islâmico independente na região das Montanhas do Cáucaso, mas oficiais russos afirmam que eles querem capturar o Daguestão a fim de estabelecer uma rota para o mar Cáspio, rico em petróleo.
A Rússia também teme que os militantes querem criar uma "província criminosa onde eles iriam treinar terroristas internacionais, contrabandear armas e drogas, sequestrar pessoas e organizar falcatruas financeiras em larga escala com impunidade", disse hoje o ministro do Interior, Vladimir Rushailo.
Chechênia tem tido uma administração própria desde que conquistou de fato independência em 1996. Moscou ainda a considera uma parte da Rússia e tem lutado para evitar que a violência se espalhe para o resto do Cáucaso.

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