Jacarta, 20 (AE-AP) - Centenas de muçulmanos cantando "Deus é grande" queimaram uma igreja católica no leste da Indonésia em retaliação à bomba que explodiu ontem na mesquita nacional, em Jacarta, disseram hoje a polícia e testemunhas.
Um homem ficou ferido e 21 pessoas foram presas, incluindo vários estudantes, durante o ataque de ontem à noite na cidade de Ujung Pandang. A cidade fica na ilha de Sulawesi, 1.400 quilômetros ao noroeste de Jacarta.
Segundo residentes, um confronto irrompeu durante uma manifestação de protesto contra a bomba na mesquita Istiqlal, em Jacarta.
Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelo atentado, que deixou três homens feridos.
O chefe do Exército, general Wiranto, condenou os autores do atentado a bomba, chamando-os de "traidores". "Eles traíram a luta do povo", disse Wiranto que, assim como muitos indonésios usam apenas um nome.
O presidente B.J. Habibie considerou o ataque à mesquita como "brutal e incivilizado". Segundo ele, o ataque parece ser obra daqueles que querem conturbar as eleições parlamentares do dia 7 de junho. Habibie conclamou os muçulmanos a não procurar vingança.
A eleição, que Habibie promete ser a mais livre desde 1955, é vista como crucial para colocar o país rumo a uma reforma democrática, 32 anos depois do governo autoritário do presidente Suharto, que só terminou em maio do ano passado.
Tensões religiosas transformaram-se em violência em várias partes da Indonésia desde a queda de Suharto.
Só neste ano, centenas de pessoas já morreram em confrontos entre cristãos e muçulmanos na província de Maluku, conhecida desde o período colonial holandês como Ilhas Spice. Dezenas de mesquitas e igrejas foram queimadas.

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