Ataque de morteiro mata dois sérvios em Kosovo
Pristina, 08 (AE-AP) - Quebrando duas semanas de relativa calma no setor patrulhado pelos americanos em Kosovo, duas vilas habitadas exclusivamente por sérvios foram bombardeadas. Duas pessoas morreram e quatro ficaram feridas, uma criticamente, informaram hoje (08) soldados de paz dos EUA.
Os novos bombardeios no setor americano de Kosovo intensificaram temores de uma retomada da violência antes do fim do prazo este mês para a desmilitarização do exército rebelde albanês étnico.
As vilas foram atacadas na noite de terça-feira e manhã desta quarta. Moradores de Donja Budriga disseram que a comunidade foi bombardeada por 20 minutos. Uma idosa que pegava água em seu jardim teve suas pernas destroçadas. Ela morreu, junto com um outro homem da vila.
Militares dos EUA servindo na força de paz liderada pela Otan em Kosovo disseram que o ataque - e outro na vizinha vila sérvia de Ranilug - ocorreu depois de terem diminuído nas últimas duas semanas os anteriores relativamente frequentes disparos de morteiros na etnicamente mista parte oriental da província sob o controle deles.
Faltando menos de duas semanas para o prazo final de 19 de setembro para a desmilitarização do rebelde Exército de Libertação de Kosovo (ELK), autoridades internacionais na província temem que tais tentativas de desestabilização da paz continuarão num crescendo. Algumas altas figuras do ELK se opõem veementemente à desmilitarização, apesar de um plano para permitir que a organização mantenha algumas de suas estruturas como um reformado, mais leve, corpo de emergência armado civil.
Oficiais americanos afirmaram que investigadores encontraram evidências de que um morteiro de 81 milímetros de fabricação chinesa foi usado no ataque em Ranilug. Armas chinesas foram as favoritas do ELK durante a luta contra as forças iugoslavas que terminou em junho.
A grande maioria dos mais de 200.000 sérvios kosovares já fugiu da província desde que tropas da Otan substituíram forças sérvias na província no fim dos 78 dias de bombardeios da Otan que forçaram o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, a aceitar os termos de paz ocidentais para Kosovo. Os que permaneceram reclamam que os 40.000 soldados liderados pela Otan na província estão protegendo apenas os albaneses.
Enquanto crescem as tensões na região, a Rússia tem intensificado suas críticas à atuação da Otan em Kosovo - reclamando que os sérvios não são adequadamente protegidos e expressando insatisfação com o proposto novo papel do ELK. Para Moscou, não haveria a plena desmilitarização dos rebeldes.
As reclamações da Rússia deverão ser discutidas na semana que vem em Moscou entre o ministro da Defesa russo, Igor Sergeyev, e o secretário da Defesa americano, William Cohen.





