Ataque de abelhas deixa homem em estado grave
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
Londrina - Um enxame de abelhas atacou e feriu gravemente um homem de 56 anos na tarde de ontem em uma via de ligação das avenidas Brasília e Winston Churchill, na zona norte. Três bombeiros que foram ao local prestar socorro à vítima também ficaram levemente feridos.
Até o fechamento da edição, Aparecido Gouveia Terra estava respirando por aparelhos em uma maca no corredor do pronto-socorro e ainda aguardava uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) às 19h30 de ontem, após mais de quatro horas de espera. Seu estado geral era considerado muito grave.
De acordo com o médico socorrista que atendeu o caso, Felipe Guanaes, ele sofreu um choque anafilático e teve uma parada cardiorrespiratória por "alguns minutos", antes de ser reanimado ainda na ambulância. "Acredito que são mais de 3 mil picadas. É difícil encontrar alguma parte do corpo da vítima sem ferimento", afirmou o médico. Guanaes também teme por sequelas neurológicas por conta da longa parada cardíaca. Um soldado socorrista e dois alunos soldados dos bombeiros chegaram a ser hospitalizados pelo grande número de picadas que sofreram, mas tiveram alta horas depois, após serem medicados.
A ação desta primeira equipe foi decisiva para a sobrevivência da vítima. Antes da chegada da segunda viatura, eles usaram um extintor de gás carbônico para dispersar o enxame, mesmo com o risco de se ferirem gravemente. Em seguida, foram atacados pelos insetos mas foram ajudados pelos colegas. Uma segunda viatura completou o socorro da primeira vítima atirando jatos de água neblinada. Só depois, com socorristas vestidos com indumentária de proteção, o paciente foi colocado na ambulância.
Ainda não se sabe se a vítima teria provocado o ataque ou foi surpreendido por um enxame em migração. Os deslocamentos de abelhas em grandes grupos são comuns no verão. Quando o fato foi comunicado à corporação, o homem estava deitado ao lado do carro, estacionado na rua, próximo da mata, com o corpo completamente coberto pelos insetos. De acordo com a assessoria do Hospital Universitário, Terra é viúvo e residia na Avenida Brasília.
Os bombeiros ficaram intrigados com a espécie de abelhas que compunha o enxame. "Recolhemos alguns exemplares muito parecidos com abelhas africanas, menores e escuras. Muito agressivas", informou o subtenente Paulo de Tarso Figueiredo. Ele diz que ataques contra animais são relativamente comuns na área urbana. "Contra humanos, é muito raro. São mais comuns ataques após uma provocação", disse o subtenente.
Ainda ontem, os bombeiros notificaram a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) sobre a ocorrência, um fundo de vale protegido pela legislação e de responsabilidade da administração municipal. Eles orientam motoristas e pedestres a evitarem a área. Ontem, a chuva no final da tarde ajudou a dispersar o enxame.
O secretário da pasta, Cleuber Moraes Brito, disse que enviará uma equipe para vistoriar a área hoje. "Vamos avaliar todas as circunstâncias deste ataque para saber se há alguma medida que pode ser tomada no âmbito da secretaria", prometeu.
Na semana passada, um ataque de abelhas assustou frequentadores da orla de Caiobá, em Matinhos (Litoral). A principal vítima do enxame foi uma mulher de 56 anos que teve que ser hospitalizada após sofrer 50 picadas.


