Ataque a São Paulo é contra Covas e de olho em 2002, diz Bernardini
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domingo, 11 de julho de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 12 (AE) - O diretor de Competitividade Industrial da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mário Bernardini, afirmou que, ao criticar o Estado de São Paulo e sua população, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) está "atacando" o governador Mário Covas, um possível concorrente à sucessão presidencial.
Bernardini concorda com ACM que os empresários paulistas devam mudar de mentalidade, mas com finalidade diferente da sugerida. "Deveriam participar mais da política para não deixar espaço para o resto do País", disse, ponderando que o Estado de São Paulo é subrepresentado no Congresso. Segundo ele, é "lenda" dizer que São Paulo dita as políticas seguidas pelo País. "Se ditássemos, não aceitaríamos um regime automotivo que subsidia multinacionais e destrói o setor de autopeças nacional, instalado notadamente em São Paulo", ponderou.
Nessa briga pela instalação da Ford, Bernardini culpa o governo federal. "Quem está errado é o governo federal, que tem uma política automotiva que é indefensável. Uma política que faz gentileza com nosso dinheiro", disse.
Segundo ele, são "muito fracos" os argumentos usados pelo senador para a defesa da concessão de incentivos que beneficiam a instalação da Ford na Bahia. O diretor da Fiesp até concorda que ACM defenda incentivos para o Estado. "Ele tem razão de querer o pedaço dele", afirmou, mas, ao alegar de que a riqueza paulista foi feita com divisas do Nordeste, o senador comete um erro histórico.
"A indústria brasileira foi feita via confisco de renda da agricultura", ponderou Bernardini, acrescentando. "Mas, ao que eu saiba não houve uma cultura baiana de café." Os fazendeiros dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que tinham as maiores plantações de café no início deste século, foram os geradores dessa riqueza, de acordo com o empresário. "A cana da Bahia valia alguma coisa nos séculos XVII ou XVIII", acrescentou.
Reforma ministerial - Antes de falar de uma reforma ministerial, Bernardini acha que o presidente Fernando Henrique Cardoso deveria definir prioriades e metas, acompanhadas de um cronograma para seu governo. "Nos últimos anos, só se fala em moeda, câmbio e juros nesse País. Um povo não vive disso, não come isso", afirmou Mário Bernardini.
Se dependesse dele, a retomada do crescimento econômico e uma política de emprego seriam as prioridades a serem adotadas pelo governo federal. A princípio, ele não vê necessidade de mudança de ministros. "Dá para trabalhar com esse time", afirmou, desde que todos sigam as metas estabelecidas pelo presidente.
Segundo ele, o importante é que os ministros tenham "meios" para cumprir suas metas. Esta é a explicação para o desempenho do ministro do Desenvolvimento, da Indústria e Comércio, Celso Lafer, considerado frustrante por vários setores empresariais. "Não é culpa do Celso. É a falta clara do que é prioridade para o governo", disse, jogando a responsabilidade para a equipe econômica que detém os instrumentos necessários para o crescimento.


