Ataque a Embaixada da China deixa um morto
Belgrado, 07 (AE-ANSA) - No 44º dia da campanha de bombardeios aéreos contra a Iugoslávia - composta por Sérvia e Montenegro -, a aviação da Organização do Tratado do Atlântico (Otan) voltou a errar o alvo: atingiu o prédio da embaixada da China na capital iugoslava e uma feira livre e um hospital em Nis (sul).
O governo chinês condenou o ataque, qualificando-o de "bárbaro" e pediu uma reunião extraordinária de emergência do Conselho de Segurança (CS) da ONU. A reunião será realizada em Nova York e terá início à 0h30 (horário de Brasília) de sábado (08).
Três mísseis acertaram o prédio de dois andares da embaixada, localizado no centro de Belgrado. Segundo a agência oficial chinesa Nova China, cinco pessoas estavam feridas embaixo dos escombros - uma delas morreu antes de ser resgatada - e três desaparecidas. No centro de Nis, bombas de fragmentação mataram 15 pessoas e feriram mais de 70.
"É possível que um míssil tenha atingido edifícios civis em Nis", admitiu o porta-voz da aliança Vicki Nielsen, que não confirmou a explosão na embaixada chinesa. "Estamos investigando."
Segundo Nielsen, caças-bombardeiros da Otan atacaram no fim da noite de hoje novamente a central termoelétrica de Obrenovac - deixando boa parte da Sérvia e de Montenegro às escuras - e os edifícios do Ministério da Defesa iugoslavo em pleno centro de Belgrado. Perto desses alvos, estão o prédio da Embaixada da China e o Hotel Iugoslávia. Os dois locais foram atingidos.
O ministro iugoslavo sem pasta Goran Matic acusou a Otan de promover um ataque deliberado contra a embaixada. "Quero ver agora como a Otan vai justificar isso."
Segundo o embaixador chinês Qin Huasun, a "Otan deverá ser responsabilizada por todas as consequências" desse ato. Membro permanente do CS com poder de veto, a China foi desde o princípio contra os ataques da Otan à Iugoslávia, considerando a operação uma violação da "integridade territorial".
No fim da noite de hoje, a agência estatal iugoslava Tanjug informou que Fehmi Agani, colaborador mais próximo do líder kosovar moderado Ibrahim Rugova, foi encontrado morto em Kosovo. O comunicado afirma que Agani foi morto pelo Exército de Libertação de Kosovo (ELK) que "perdeu o interesse" nele depois de Rugova ter abandonado a província.





