Ribeirão Preto, SP, 20 (AE) - Representantes do atacadista Adriano Coselli, de Ribeirão Preto, um dos maiores do País, rebateram hoje a acusação de que a empresa estaria vendendo bacalhau estragado, impróprio para o consumo humano. Em 26 de fevereiro, o Ministério Público de Cravinhos, com autorização judicial, apreendeu 210 toneladas de bacalhau com data de validade vencida, armazenado em um depósito. O atacadista alega que o produto teria validade maior do que o especificado nas embalagens.
Segundo a nota de esclarecimento distribuída à imprensa, o exportador norueguês teria errado ao imprimir nos pacotes o prazo de validade de um ano, que deveria ser de dois anos."Em face de tal comunicação, a Coselli resolveu atualizar a data de validade do produto e, para tanto, teria de movimentar todo o estoque de bacalhau, cerca de 250 toneladas", informa a nota. A empresa alega que o depósito era para seleção e descarte dos produtos e que o promotor Wanderley Trindade teria agido de forma arbitrária e sem documentação. "A empresa estuda pedir indenizações cabíveis no momento certo", disse o porta-voz Ronaldo Knack.
O promotor Trindade afirmou que a alteração da data de validade só poderia ser feita após autorização do Serviço de Inspeção Federal (SIF), não por conta da própria empresa. Também disse ter respaldo judicial para atuar no caso. "Só o fato da apreensão do bacalhau já constitui crime contra a relação do consumo", disse o promotor. Ele abriu inquérito e moverá duas ações civis, por danos à comunidade e para apurar crime contra a organização do trabalho, pois cerca de 15 pessoas trabalhariam no depósito sem registro."Estamos verificando todos os detalhes e ligações com outras empresas", acrescentou Trindade.
Na semana passada, outras 35 toneladas de bacalhau da Coselli foram apreendidas numa câmara fria, em Bebedouro. "Também apreendemos bacalhau em quatro supermercados, com notas fiscais e com características de falsificação", afirmou o promotor, que aguarda laudos técnicos do Instituto de Criminalística, do Adolfo Lutz, do SIF, da Secretaria de Vigilância Sanitária Estadual e das secretarias municipais da Saúde de Ribeirão Preto e de Cravinhos.
Mais de uma dezena de outros produtos estão sendo verificados. Na quinta-feira passada (16), Trindade recebeu ameaças de morte por telefone, mas não relacionou o fato à investigação do atacadista, pois atua em vários outros casos.

mockup