Ata do Copom manifesta preocupação com preço administrado
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quarta-feira, 24 de novembro de 1999
por Gustavo Freire 
Brasília, 24 (AE) - O extrato da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em que os juros foram mantidos em 19% ao ano e o viés de baixa foi retirado, revela a preocupação do Banco Central com a evolução dos preços administrados da economia. "Enquanto a eliminação dos incentivos fiscais sobre os preços dos automóveis e o impacto da entressafra sobre os preços dos alimentos elevam o nível de preços e reverte-se no tempo, sem caracterizar aumento persistente na taxa de inflação, o processo de reajuste de preços administrados pode apresentar persistência e propagar-se pela economia, gerando pressão inflacionária. A missão do Banco Central é evitar que isso ocorra", diz o documento distribuído há pouco pela assessoria de imprensa do BC.
O mesmo documento diz que uma análise detalhada do comportamento dos componentes do IPC-A neste ano "evidencia a pressão exercida pela alta dos preços administrados". "Enquanto o índice geral subiu 6,01% de janeiro a setembro, os preços administrados subiram 16,79%. Dentre esses últimos, os derivados de petróleo (gasolina, óleo diesel, gás encanado e de botijão) apresentaram alta de 43,22% e os não-derivados chegaram a 11,36%, sendo 9,22% em telecomunicações, 17,24% em energia elétrica e 11,53% em transportes públicos", continua o documento do BC. O texto ainda diz que a atitude de cautela tomada pelo Copom se justificou por dois fatores básicos: "1) confirmar o diagnóstico de que a elevação recente ao consumidor deve-se a fatores específicos e transitórios (como carne, álcool, automóveis e câmbio), sem configurar o início de um processo generalizado de ajustes de preços; e 2) balizar a formação de expectativas de inflação da sociedade em resposta a essas novas informações deixando claro que o Banco Central não permitir á que choques de oferta persistentes levem a um aumento na taxa de inflação", conclui o documento.


