Astrônomos já vivem expectativa do último eclipse lunar no milênio
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terça-feira, 11 de janeiro de 2000
por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 11 (AE)- A madrugada do próximo dia 21 vai ser especial para observar a lua. É quando acontece o último eclipse total lunar a ser visto nas Américas neste milênio e, segundo os especialistas, um dos mais bonitos. A expectativa é tão grande que o Clube dos Astrônomos do Rio (Carj), uma das cidades onde a visibilidade será melhor, vai estar de plantão desde o início da noite do dia 20 (quinta-feira), na Praça Saens Peña, na zona norte, com telescópios para observar o fenômeno.
"Vamos aproveitar para ver também os outros astros, como Saturno e Júpiter, que estarão mais visíveis porque não estarão abafados pela luz da lua", adianta o diretor de observação do Carj, Sérgio Lomanco Carvalho. "Se São Pedro colaborar e não chover, esperamos umas 150 pessoas, a quem vamos dar informações sobre o eclipse e acompanhar cada movimento da lua e da terra."
Os eclipses totais da lua acontecem quando a terra se coloca entre seu satélite e o sol, e os três astros ficam em linha reta. Desta vez, a lua estará mais bonita pois atingirá seu perigeu, o que, em linguagem científica, significa o ponto mais próximo possível da terra, a 384 mil quilômetros. Além disso, o fenômeno acontecerá quando a lua estiver a 45º do horizonte, no sentido nascente, o que torna a observação mais confortável.
Segundo o astrônomo Rogério de Freiras Mourão, pesquisador titular do Museu de Astronomia e Ciências Afins, que observa eclipses há 42 anos, a luz da lua começa a enfraquecer à 1h01 (quando o astro entra na penumbra da terra) e, às 2h04, começa a entrar na sombra da terra (dando a impressão de uma mordida no satélite). Chega a ficar totalmente encoberta e volta a reaparecer às 2h22. Só às 5h24, quando o dia estiver nascendo, o satélite volta a seu brilho normal. Neste tempo, já está descontado o horário de verão.
"Mas a lua não desaparecerá por completo porque estará refletindo a luz que recebe da terra", explica Mourão. "Sua cor será um marrom meio avermelhado, mais claro ou escuro dependendo das condições da atmosfera terrestre, numa medida chamada de escala de Danjon e que serve para medir a poluição do ar ."
O físico Marcômede Rangel, do Observatório Nacional, ensina que, nos eclipses, além de se medir a poluição, acertam-se também os calendários. "Usamos o gregoriano que já chegou ao ano 2000, mas os judeus estão no quinto milênio e os muçulmanos, no 14º século", explica ele. "Pela observação de quando cada povo viu um eclipse, podemos saber quando cada fato histórico aconteceu".
Para o astrólogo Pedro Tornaghi, o eclipse acontece no dia em que o sol entra na constelação de Aquário e Netuno, o planeta da inspiração e da visão ampla, está em conjunção com Mercúrio, o planeta da comunicação. "É uma situação que estimula a criatividade, mas recomenda-se cautela, para não se confundir intuição com fantasia", diz Tornaghi. "É ótimo para artistas e pessoas que trabalham com a criatividade, mas um dia difícil para quem joga na bolsa ou mexe com dinheiro".


