Astrônomos do Rio se preparam para eclipse lunar, na sexta
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2000
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 19 (AE) - O Instituto Nacional de Meteorologia não promete uma noite enluarada , mas o Clube de Astronomia do Estado do Rio de Janeiro vai estar a postos, com telescópios e especialistas na Praça Saens Peña, na Tijuca, zona norte do Rio, para acompanhar o último eclipse da lua deste milênio. O fenômeno acontece na madrugada de sexta-feira (21), das 00h02 às 05h24. Segundo a meteorologista Marlene Leal, uma frente fria ameaça a visibilidade, mas como a região mais afetada é o litoral capixaba, os cariocas podem dar sorte e ter poucas nuvens atrapalhando o "sumiço" da lua.
Sumiço relativo porque num eclipse total a lua não perde totalmente a luminosidade e continua refletindo a luz que recebe da Terra. Segundo o astrônomo Rogério de Freitas Mourão, pesquisador titular do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), às 2h04m, quando a lua entrar na sombra da terra, a impressão será de que o satélite vai sendo mordido."No auge do eclipse sua cor fica marrom avermelhada, como tijolo, variando de intensidade e claridade em função das condições da atmosfera terrestre", conta.
O Rio será um ponto privilegiado para observar o fenômeno, por situar-se no litoral e, em razão de sua latitude, o eclipse começa a acontecer com a lua a 45º graus do horizonte. "Será mais confortável porque não vai ser preciso forçar o pescoço para olhar o céu", garante o físico Marcômede Rangel, do Observatório Nacional. "Mas é bom ir para um local onde não haja muita luz da cidade porque ela atrapalha a visão da lua." Rangel explica que os eclipses servem para medir a poluição e as condições da atmosfera, numa escala chamada Dajon.
Desta vez, o céu estará mais limpo do que no último eclipse total, em dezembro 1992. Naquela época, a poeira expelida pelo vulcão Pinatubo, na ásia, tornou a luz quase invisível. Agora, essas erupções estão em baixa.
O eclipse serve também para acertar os calendários de diversas culturas. "A civilização ocidental está no ano 2000, mas os muçulmanos só chegaram ao século 14, enquanto os judeus, ao quinto milênio", ressalta. "Comparando os registros dos eclipses através dos tempos, nas diversas culturas, podemos acertar nossos relógios com outras civilizações."


