John Glenn não foi o primeiro homem a orbitar a Terra - o soviético Yuri Gagarin teve essa honra - mas foi, provavelmente, o primeiro homem a colher frutos políticos da corrida espacial: o título de primeiro norte-americano a orbitar o planeta com certeza o ajudou a obter uma cadeira no Senado dos Estados Unidos. John Glenn é senador pelo partido Democrata (o mesmo de Bill Clinton e de John Kennedy, o presidente que fez da corrida espacial uma prioridade política). Glenn, no entanto, não é candidato à reeleição no dia 3, quando estará em órbita.
Agora, aos 77 anos, John Glenn volta às origens, participando na missão STS-95 do ônibus espacial Discovery. O retorno de Glenn ao espaço, 36 anos depois de seu vôo histórico na nave Friendship 7, do projeto Mercury, não é apenas uma homenagem da Nasa a um de seus pioneiros. O senador servirá como cobaia humana para uma série de experiências sobre alguns efeitos orgânicos do envelhecimento - perda de massa muscular, enfraquecimento dos ossos, distúrbios do sono - que se assemelham bastante a males causados por longos períodos em ambiente de baixa gravidade.
Além das experiências envolvendo o próprio Glenn, a STS-95 realizará estudos sobre o Sol, valendo-se, para tanto, da sonda Spartan 201, que permanecerá dois dias no espaço, coletando dados sobre a estrela. A missão ainda carrega instrumentos para uma série de experimentos relacionados ao nascimento, vida e morte de estrelas distantes. Essa parte da missão é chamada de IEH-3. A Discovery ainda irá colocar o módulo Spacehab em órbita. O Spacehab contém experimentos biológicos, envolvendo medicina e agricultura, que devem se beneficiar do ambiente de baixa gravidade.

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