Astronauta brasileiro fará curso de treinamento na Rússia
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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 22 (AE) - O astronauta brasileiro, major-aviador Marcos Pontes, será treinado na Rússia
no centro de preparação de astronautas da antiga União Soviética, em meados do próximo ano. São grandes as possibilidades de ele ainda participar de missões tripuladas como os russos, no ônibus espacial Soyers, que é o veículo de resgate da Estação Espacial Internacional (EEI). O major Pontes está de passagem pelo Brasil e regressará no final de semana para Houston, no Texas, onde vem sendo treinado pela Nasa.
Hoje ele se encontrou com o alto comando do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos, e confirmou que sua certificação como astronauta sairá no final do próximo ano. São grandes as chances de o militar brasileiro participar de duas missões tripuladas no espaço pela Nasa, sendo uma com o ônibus espacial e outra na estação, a partir de 2001. "Estou aguardando ser escalado", afirmou.
O treinamento na Rússia durará aproximadamente uma semana, com uma duração de 18 horas. O total de tempo do curso é de 40 horas, sendo que as restantes serão feitas por teleconferência. Na Nasa, o próximo teste de avaliação será de sobrevivência na neve, no norte do Canadá, no início do próximo ano, quando o inverno no hemisfério norte estiver em seu auge. Os astronautas ficarão numa base de treinamento militar canadense e enfrentarão temperaturas de até 30 graus negativos.
Mas a grande expectativa do major Pontes é ser enviado ao espaço, assim que terminar suas atividades no Johnson Space Center. O desempenho do candidato brasileiro vem sendo muito elogiado, apesar do grau de dificuldade do curso, que aumenta com o passar do tempo. Sua média de estudos é de 15 horas diárias. Embora sua formação de engenheiro aeronáutico pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e piloto de caça tenha lhe garantido bons resultados nas avaliações. "Em vários pontos minha formação é superior à dos outros concorrentes", observou.
Saci - A falha do Satélite Científico-1 (Saci-1), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), lançado há um mês pelo foguete chinês longa marcha, chegou a ser comentada dentro da Nasa. Os técnicos e astronautas norte-americanos lamentaram o problema. Segundo Pontes, a situação do Saci foi encarada com normalidade pelos especialistas dos Estados Unidos. Pontes mantém contato permanente com os antigos astronaustas norte-americanos, entre eles John Glenn. "Ele é meu vizinho de sala, sempre nos falamos e ele mostra grande interesse pelo Brasil", comentou.


