Astrólogo garante que o mundo não acaba amanhã
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segunda-feira, 09 de agosto de 1999
Por Sandra Sato Enviado especial 
Brasília, 10 (AE) - Quando o brasileiro acordar amanhã (11) constatará que o mundo não acabou, garante o astrólogo Kranti Pessoa. Mas ele avisa que o dia será tenso por causa da grande quadratura dos planetas que exercerá influência tanto no ecossistema como no psiquismo dos cidadãos. A Terra ficará no centro da cruz que se formará com as conjunções dos planetas. Na horizontal, Saturno se oporá a Marte. Na vertical, de um lado estará Urano e do outro, o Sol e a Lua.
"Não aceite provocação, evite brigas", sugere o astrólogo que vive em Alto Paraíso, cidade esotérica a 222 quilômetros de Brasília, onde metade da população é espiritualista. Por isso, boa parte das pessoas começará o dia de amanhã nessa cidade meditando, cada um ao seu estilo, enquanto europeus avistam o último eclipse do século. A data de 11 de agosto tem sido esperada com ansiedade por causa do alinhamento dos planetas e das profecias de Nostradamus prevendo a chegada das trevas. Mas na cidade mais esóterica do País o clima é de tranquilidade, salvo pequenas exceções de pessoas que temem o fim do mundo como a estudante Daniela Faria. Bons fluídos - "Essa história de que o mundo vai acabar é besteira", comentou hoje Deva Rakkas, pouco depois de meditar no espaço em formato de gota construído por seguidores do mestre indiano Osho. Na opinião dele e de outras duas mulheres que o acompanhavam, Elisa e Lisa, o importante nesse momento é "meditar para trazer bons fluídos" para a nova era que se inicia.
A paulista aposentada Cacilda Furioli é uma das cerca de cem pessoas que subirão a montanha da Baleia até o grande círculo das pedras, onde a Fundação Arcádia promoverá uma cerimônia a partir das 8h01 (11h11 pelo fuso horário de Greenwich, início do eclipse). "Faremos uma mentalização com muito amor", antecipa, explicando que o grupo quer passar energia para que as pessoas no Planeta se voltem mais para o lado espiritual.
O objetivo é ajudar o mundo a compreender que é necessária uma mudança de consciência, explica a moradora de São Bernardo. "É o final do mundo interior de cada pessoa", diz. Segundo ela, é tempo de se jogar todos os hábitos antigos e abondonar o apego às coisas materiais. "Há 2000 anos, Jesus esteve na Terra para mostrar o amor um pelo outro", lembra para em seguida perguntar: "E o que mudamos até agora?".
Cacilda acredita que chegou a vez do "amor incondicional", sem exigências e que talvez sejam necessários conflitos e sofrimentos para as pessoas despertarem a consciência. Mas ela não teme os terremotos ou outros efeitos da natureza, provocados pelo alinhamento dos planetas. Para ela, o maior perigo é a eclosão da terceira guerra mundial.
Ao contrário da paulista, o argentino que há três anos vive em Alto Paraíso, Heriberto Nestor Zawislak, está receoso com os efeitos da conjunção dos planetas, seguido ao eclipse. Quando ocorre um eclipse, explica, há um esticamento de energia. O alinhamento dos planetas, segundo ele, quebrará essa energia como a corda de um violino esticado. O dia crítico será 18 de agosto quando, diz ele, o alinhamento se completa. "Acredite ou não, será inevitável", afirma.
Ele compara o alinhamento "mixuruca" ocorrido em 1883, envolvendo apenas dois planetas, com o de agora. "O Vulcão de Java entrou em erupção e engoliu três quartos da ilha, matando 35 mil pessoas", comenta. A tese dele é de que haverá cataclismas no local onde se dará a sombra do eclipse. O Brasil que não assistirá ao eclipse estaria, segundo essa tese menos vulnerável. Mestre em reiki, cura pelas mãos, e crente no poder dos cristais, Zawislak garante que amanhã não será uma "data-chave" para se temer. Mas também sugere que se faça uma meditação fortíssima, voltando para si mesmo, e evite-se atritos.


