São Paulo, 31 (AE) - A fusão entre a Astra AB e Zeneca Group em âmbito mundial criará, no Brasil, uma subsidiária com faturamento de US$ 252 milhões, o que resultará em investimentos de US$ 30 milhões a US$ 35 milhões nos próximos três anos. O dinheiro será utilizado para a nova empresa, a AstraZeneca, fazer adaptações e ampliação da área industrial e melhoria na parte de informática. "Com a fusão, vamos conseguir reduzir nossos investimentos em 15%", contou hoje o novo presidente da AstraZeneca, Carlos Alberto Felippe.
A fusão será oficializada amanhã (1) internacionalmente, quando o o presidente do grupo, Tom McKillop, falará com os 50 mil funcionários da companhia por meio de uma videoconferência. Nem todos, é claro, vão ter muito o que comemorar com a ascensão da AstraZeneca, que se tornou a terceira maior empresa do setor farmacêutico do mundo, com faturamento de US$ 17,2 bilhões. Dentro do processo de ajustes, pelo menos 6 mil funcionários vão ser demitidos por causa do acúmulo de função.
Tirando esse aspecto, o negócio serviu para o crescimento da Astra e da Zeneca. As duas eram empresas médias antes da fusão e, quando começaram a conversar, em dezembro de 98, já sabiam que teriam problemas em 2003, se continuassem operando separadamente.
Na época, dois produtos de grande faturamento das companhias terão suas patentes vencidas. O Losec, produzido pela Astra para tratamento gastrointestinal, e o Zestril, fabricado pela Zeneca para hipertensão.
Ao unir forças as duas empresas terão pela frente maiores possibilidades de disputar o mercado mundial em melhores condições. Neste momento, por exemplo, ambas têm 55 projetos em andamento, que deverão ter uma boa parte colocada no mercado até 2003.
Além disso, a verba de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), anteriomente em torno de US$ 1 bilhão, agora na somatória alcançará a cifra de U$S 2,2 bilhões, tornando-se a segunda verba do setor farmacêutico mundial - atrás da Hoechst-Marion-Roussel, cujo investimento na área está em torno de US$ 2,3 bilhões.
Apesar de tornar-se uma gigante mundial, no Brasil a companhia não deverá ir além da 12.ª posição, embora o presidente da subsidiária brasileira acredite que a AstraZeneca continuará crescendo em taxas acima dos 17% em vendas de Xilocaina (anestésico), Nolvadex (câncer de mama), Casodex (câncer de próstata) e Accolate (asma). O mercado farmacêutico brasileiro movimentou US$ 9,4 bilhões no ano passado, segundo dados da Abifarma, associação que reúne os fabricantes do setor.

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