Portando flechas e espingardas, cerca de 400 índios assurini, da Aldeia Trocará, no sudeste do Pará, estão bloqueando desde segunda-feira a Rodovia Transcametá, entre os municípios de Tucuruí e Cametá. Eles exigem que governo do Estado cumpra um acordo firmado há cinco anos, ainda na gestão do governador Jáder Barbalho (PMDB). Esse acordo prevê a proteção do Estado contra invasão da reserva indígena por fazendeiros e madeireiros, além da construção de escolas, posto de saúde e recuperação da rodovia, hoje praticamente intrafegável devido aos atoleiros.
O cacique Francisco Assurini afirmou que nem Barbalho tampouco o governador que o sucedeu, Almir Gabriel, cumpriram o que está escrito nesse acordo. A devastação da reserva florestal e a caça indiscriminada de pequenos animais, dentro da área ‘‘por invasores brancos’’, garante, também estão provocando a revolta dos índios. ‘‘Eles estão matando nossos animais e roubando nossa comida. Isso já é muito abuso’’, protesta.
Cerca de 20 quilômetos da rodovia passam por dentro da reserva indígena. O protesto dos índios ganhou o apoio do MST. A Polícia Militar deslocou 20 homens de seu batalhão em Tucuruí para tentar liberar a rodovia, mas nada conseguiu. No início da tarde de ontem, os assurinis decidiram manter o protesto. Eles exigem que o governo do Estado mande um representante até a rodovia para negociar e querem também a presença de um procurador da República. O secretário de Transportes, Haroldo Bezerra, ficou de viajar no início da noite para tratar da liberação.

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