Assunção volta à normalidade com posse de Machi Do enviado especial Ariel Palacios
Assunção, 29 (AE) - Apesar da incômoda chuva que ao longo do dia caiu sobre a cidade, os "asunceños", como são conhecidos os habitantes da capital paraguaia, circularam hoje (29) pelas ruas como não o faziam há uma semana. As bandeiras paraguaias ainda decoravam a cidade, que começava a limpar os escombros das barricadas espalhadas pelo centro da cidade. O comércio voltou a abrir suas portas depois de uma semana de prejuízos e a greve geral, em vigor desde quarta-feira passada, foi suspensa pelas três centrais sindicais.
Com cara de sono, os asunceños comentavam as festividades da noite anterior, quando haviam sido informados da renúncia do polêmico presidente Raúl Cubas Grau e a posse do novo presidente
Luis González Machi. Na posse, realizada no Senado, não faltaram os gestos simbólicos, que oscilaram entre as demonstrações do poder e o piegas: o ex-presidente Juan Carlos Wasmosy levou até o plenário a faixa e o bastão presidencial, o que foi interpretado como um sinal de que teria alguma influência sobre Macchi.
O outro momento de clímax ocorreu quando um dos rapazes feridos à bala nos confrontos com a polícia pela defesa do Senado na sexta-feira foi levado em uma improvisada maca por cima da cabeça dos sendores para tocar a mão do novo presidente. Após a posse, Macchi foi ao palácio López, a sede de governo, que estava rodeada por mais de 50 mil pessoas que se aglomeravam nas ruas vizinhas, para poder ver o novo presidente do país.
Na coletiva de imprensa que deu, o novo presidente demostrou o gosto pelas frases categóricas: durante a primeira coletiva de imprensa, afirmou que "atualmente, não existe um único opositor no país". Macchi também afirmou que não possui patrão algum, em alusão direta a Cubas Grau, afilhado político do general Oviedo. "O único patrão que tenho é a honestidade", exclamou. Sobre o possível controle que o ex-presidente Juan Carlos Wasmosy teria sobre ele, declarou que "Wasmosy não será meu Oviedo. É impossível. Nem eu sou Cubas Grau, nem ele é Oviedo". Macchi ressaltou a participação do "bravo povo paraguaio na luta pela democracia", e da comunidade internacional.
Especificando, o novo presidente paraguaio agradeceu o "papel importantíssimo que o presidente Fernando Henrique Cardoso teve nesta crise". E voltou a repetir: "tenho informação de que seu papel foi fundamental".





