O Sindicato dos Servidores Públicos Técnico-Administrativos da UEL (Assuel) protocolou na manhã de ontem, na Promotoria de Defesa do Consumidor, em Londrina, um documento com 55 páginas que traz um diagnóstico sobre a situação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e de setores suplementares, como o Hospital Universitário (HU). A Assuel denuncia a precarização da universidade, como falta de equipamentos e funcionários, obras paradas e atrasos de repasses pelo governo estadual.
Por meio do documento, a Assuel sugere a abertura de uma Ação Civil Pública contra o Estado para investigar a falta de pagamento de verbas já incluídas no orçamento público. O promotor responsável, Miguel Sogaiar, no entanto, informou que antes vai analisar os documentos e discutir o caso com representantes das promotorias do Patrimônio Público e da Saúde. O promotor também não deu prazo para uma reposta ao sindicato.
Segundo o presidente da Assuel, Marcelo Alves Seabra, o total de repasses atrasados já chega aos R$ 21 milhões, sendo R$ 15 milhões referente a este ano e o restante ao ano passado. Seabra aponta também que o deficit atual de técnicos administrativos é aproximadamente 750 servidores entre universidade e HU. A nomeação de 195 servidores também é aguardada. "São candidatos que passaram em todas as fases do concurso público e que só dependem de uma assinatura para começarem a trabalhar", detalha Seabra.
Participaram também da reunião as vereadoras Lenir de Assis (PT) e Elza Correia (PMDB). Elza propôs a criação de um Comitê de Crise da UEL para envolver a comunidade nas discussões. "Isso precisa chegar na população. Ela precisa saber o preço que está pagando", concordou Lenir, que também cobrou o engajamento de prefeitos e vereadores da região, para que a discussão não fique restrita apenas a Londrina.
A Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) informou que já havia tomado ciência das reivindicações desde a audiência pública na Câmara, na semana passada. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, o governador Beto Richa nomeou em agosto cerca de 300 professores aprovados em concursos públicos para as sete universidades estaduais do Paraná. Destes, 87 docentes para a UEL.
A nota afirma ainda que a próxima etapa será a nomeação de 570 agentes universitários para as universidades estaduais, já aprovados em concursos públicos. Destes, 194 para a UEL. Sobre o repasse das verbas em atraso, a Seti garantiu que o secretário João Carlos Gomes está empenhado em conseguir junto à Secretaria de Estado da Fazenda a liberação da complementação das cotas de custeio.

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