Associados trazem móveis de casa
Uma loja onde se pode encontrar desde ração para aves, roupas, bugigangas de R$ 1,99, bolsas e até detergente ecológico. A Rede Sol, como o estabelecimento é conhecido no Bairro Novo, em Curitiba, é uma cooperativa que já faturou cerca de R$ 6 mil desde a inauguração, há três meses. Além de dividir custos de aluguel, água e energia, os 20 associados tiveram que trazer móveis de casa para expor os produtos.
Considerada pelos amigos como a pioneira da rede, Teresa Margarida da Silva conta que necessitava de um ponto comercial para vender as calças fabricadas na confecção mantida no barracão do Linhão de Emprego, um programa da Prefeitura de Curitiba para apoiar pequenos empreendedores e gerar postos de trabalho. Teresa imaginou alugar uma loja. Eu percebi que o espaço era muito grande e precisava de sócios.
Com os conhecidos que já haviam participado de outras feiras comunitárias do Bairro Novo, foi criada a Rede Sol. A loja dá oportunidades para quem não pode pagar o aluguel e oferece lugares nas prateleiras para expor os produtos.Me sinto realizada com a importância que todos têm aqui na rede. O estatístico Júlio Gnap, 41 anos, viu no projeto, uma maneira de colocar em prática uma receita que ele viu na tevê. Gnap juntou amoníaco, água, sabão de coco e limão para criar o detergente ecológico.
A idéia do detergente é alavancar todo um processo de produção e consumo alternativo de produtos não poluentes, relaciona Júlio. A preparação da substância é feita em casa com a ajuda da família. A garrafa plástica, como não poderia deixar de ser, é reciclável. Nossa intenção é melhorar ainda mais este produto. É claro que ele não rende mais que os detergentes comuns, que poluem nossos rios, mas por outro lado, quem o usa estará dando sua contribuição à natureza.
Em se tratando de questões ecológicas, até o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é um dos sócios da Rede Sol. Nas prateleiras estão verduras e sementes, que segundo os militantes do MST, não foram plantados com o uso de defensivos agrícolas. Eles vêm de assentamentos ligados ao movimento. Para nós é importante um espaço como este, já que não temos como vendê-los nas grandes redes, diz Alberto Bamberg, um dos representantes do MST na rede. O colega, Jucimar Zuchi, observa que a rede serve para integrar duas regiões há muito tempo afastadas: o campo e a cidade.(D.V.)





