Uma bomba de fabricação caseira foi enviada na manhã de ontem ao escritório da Associação da Parada do Orgulho GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgênero) de São Paulo. O atentado foi similar ao ocorrido anteontem, no escritório da Anistia Internacional em São Paulo. A polícia suspeita que haja relação entre os dois casos e as cartas que têm sido distribuídas a membros de organizações de direitos humanos.
A bomba tinha o mesmo remetente, o endereço da Congregação Israelita Paulista com um nome em alemão Mark Huntfuher. Os textos das cartas e das bombas foram assinados por ‘‘skinheads’’.
O pacote-bomba foi enviado pelo correio e era endereçado ao presidente da associação, Roberto de Jesus, 37 anos. Alarmados por constantes ameaças, os integrantes da entidade que receberam o pacote avisaram a polícia.
O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) desocupou o edifício Andrauss (região central), onde está localizado o escritório da associação, e removeu a bomba para detoná-la em um local seguro.
Dentro do pacote, que tinha o tamanho de uma caixa de sapatos, foi encontrado um cano de PVC com pólvora, palha de aço, bateria e fios aparentes. O cano tinha a suástica (símbolo nazista) desenhada nas duas extremidades.
Na parte inferior da caixa estava escrito em vermelho a seguinte ameaça: ‘‘Morte aos veados. Vamos detonar um por um. Salve os skinheads.’’
Segundo o tenente Iron Sérgio Ferreira da Silva, a bomba poderia ter matado, danificado a sala e causado um incêndio. ‘‘Quem fez a bomba não era especialista, mas tinha uma boa noção de como confeccionar uma.’’
‘‘Temo pela minha integridade física e pela democracia desse país. Mas não vamos mais tolerar, vai precisar de muita bomba para nos calar’’, afirmou Roberto de Jesus. O presidente da associação, que seria o alvo da bomba, disse que as ameaças acontecem desde que ele organizou a parada do orgulho gay, no último dia 25 de junho. ‘‘Ligam toda semana dizendo que somos aidéticos que corrompem a sociedade.’’

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