Curitiba- Um piquete em frente ao prédio da gerência executiva do INSS, que fica na Rua João Negrão, no Centro de Curitiba, bloqueou por cerca de três horas a entrada de pessoas no local, na manhã de ontem. A manifestação reuniu em torno de 300 pessoas e teve como principal objetivo contestar a Cobertura Previdenciária Estimada (Copes), também chamada de Data Certa ou Alta Programada, novo modelo de fazer perícia adotada pelo órgão em agosto de 2005.
Segundo os manifestantes, a Copes é uma instrução normativa e não uma lei, que obriga os trabalhadores que estiverem afastados por motivos de doença a voltarem para suas funções cumprindo a alta estabelecida pelos peritos, sem antes passarem por novos exames que comprovem a suposta recuperação. ''Uma grande montadora demitiu, na sexta-feira passada, dois pacientes meus porque o médico do INSS deu alta. Isso é um absurdo. Um deles estava para marcar uma cirurgia no ombro'', contou o médico Paulo Coelho, presidente da Associação em Defesa dos Lesionados (ADLT), que possui 2,7 mil integrantes.
A associação liderou o piquete, que aconteceu entre às 6 horas e 10 horas, trazendo a maioria dos participantes vestidos de blusas amarelas (com o nome do médico nas costas). ''Fiz uma cirurgia e me deram três meses de recuperação. Depois, apareceu um caroço na barriga e a médica disse que era gordura, que eu voltasse a trabalhar, mesmo sentindo dor'', contou a cozinheira Lina Timóteo, 54 anos. ''Agora tenho uma hérnia por esforço indevido e preciso fazer outra cirurgia. Paguei a vida inteira INSS e quando preciso recebo esse tratamento. Eles são médicos de bicho não de gente'', disse indignada.
Um grupo, que foi recebido pelo chefe da Gerência de Benefícios por Incapacidade, Simplício Carlos Barboza, chegou a um acordo. Será marcada uma reunião com o Conselho Médico Regional (CRM), associação e peritos, para discutir as divergências médicas e elaborado um protocolo médico estabelecendo prazos para cada doença, de acordo com a função do trabalhador. O documento será enviado a Brasília, como sugestão para ser implantado no sistema. Ainda serão avaliados os pedidos de reconhecimento dos Comunicados de Acidente de Trabalho (CATs) enviados pelos sindicatos.
Barboza explica que a Copes é baseada em evidências médicas e no conhecimento de patologias dos médicos, que têm autonomia para conceder a Alta Programada. Ele ainda diz que o fato da maioria dos segurados não precisarem voltar para uma nova perícia, agilizou o atendimento do INSS. ''Uma pessoa já pode ser aposentada por invalidez na primeira perícia, o que não ocorria no antigo sistema assistencial, que demorava até dez anos'', destaca ele. ''Mas caso o segurado não esteja satisfeito com a resolução, ele pode pedir reconsideração, que implica numa nova perícia ou até mesmo entrar com recurso'', informa.

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