Associação prevê novas greves
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sexta-feira, 27 de junho de 1997
Agência Estado Belo Horizonte 
O levante dos soldados da Polícia Militar de Minas deverá se repetir no restante do País, segundo o presidente da Associação Nacional dos Cabos e Soldados, o gaúcho Pedro Dias de Moraes. Ele aponta reação contra baixos soldos na Bahia, Ceará, Rio Grande do Sul e São Paulo. Esse movimento heróico da PM mineira deixará segmentos da sociedade e governantes preocupados, como já está preocupado o próprio presidente Fernando Henrique Cardoso, disse. Os estados dizem que não têm caixa para pagar salários mais dignos, mas têm caixa sim, a lei Camata não existe, o que estão aplicando é a lei cascata contra os policiais e todos os servidores públicos. Os policiais mineiros conseguiram 42% de reajuste sobre o piso salarial após greve de três dias.
De acordo com Moraes, os policiais militares de todo o País darão uma resposta ao que chamou de desmonte orquestrado ao serviço público em nível nacional. Também poderemos orquestrar alguma coisa em nível nacional considerando o ato vitorioso da PM de Minas, afirmou. Moraes e representantes de associações de cabos e soldados de todo o Brasil encontraram-se ontem de manhã com os líderes do movimento dos praças mineiros. O presidente da associação do Espírito Santo, Messias da Silva, informou que a ansiedade nos quartéis do Brasil é muito grande, assim como a injustiça salarial, e que manifestações semelhantes à de Belo Horizonte estão sendo organizadas.
Vamos dar uma demonstração de democracia àqueles que não respeitam os profissionais de segurança, disse. Silva criticou a convocação de tropas do Exército em Minas, após o governador Eduardo Azeredo (PSDB) sentiu-se ameaçado pelos praças da PM. Com certeza não se faz necessária a presença do Exército para combater profissionais que, na verdade, são pais de família que estão apenas reivindicando seus direitos.


