Associação pede punição de acusados de matar e emascular crianças no Pará
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domingo, 27 de junho de 1999
Por Sandra Sato 
Brasília, 28 (AE) - Depois de quase dez anos do primeiro caso de emasculação de um menor no sul do Pará, Rosa Maria da Silva Pessoa, coordenadora do comitê de defesa das crianças de Altamira, voltou hoje ao Ministério da Justiça e pediu "apoio político" do governo para pôr os culpados na cadeia. Entre 89 e 93 ocorreram na cidade paraense 12 casos de retirada de todo o órgão genital dos meninos. Outros oito foram sequestrados, mas conseguiram fugir antes da cirurgia, e seis estão desaparecidos.
"Essas seis crianças provavelmente não conseguiram escapar e os assassinos sumiram com os corpos", disse Rosa, mãe de uma das vítimas. O desaparecimento dos meninos coincidiu com o período dos crimes. Os acusados, exceto um ex-soldado da Polícia Millitar, chegaram a ser presos, mas foram liberados, contou Rosa para a diretora do Departamento da Criança e Adolescente do Ministério da Justiça, Olga Câmara. Olga afirmou que levará o caso ao secretário de Direitos Humanos, José Gregori, e serão tomadas providências para verificar o motivo de os assassinos permanecerem impunes.
Magia - Apenas quatro vítimas submetidas à emasculação conseguiram sobreviver e reconheceram o ex-soldado da Polícia Militar Carlos Alberto Santos, que nunca foi preso, como a pessoa que os convidava para pegar manga ou caçar passarinho. Além disso, as crianças lembram que no local para onde eram levadas havia outras pessoas. Um dos meninos conta ter sido amarrado a uma árvore e dopado com um pano no nariz.
Para o padre Bruno Sechi, um dos fundadores do movimento de meninos de rua no País, acompanhou Rosa no encontro no Ministério. Sechi acredita que o motivo do crime pode ter sido magia. A advogada de acusação Celina Bentes Hamoy aposta em distúrbio sexual. Ela lembra do laudo anexado ao processo comprovando que o principal suspeito, Hamailton Madeira Gomes, é um psicopata. As investigações policiais, segundo a advogada, chegaram ainda a outros suspeitos: os médicosAnísio Ferreira de Souza e Césio Flávio Caldas Brandão, o ex-PM Aldenor Ferreira Cardoso, e uma suposta chefe de uma seita, Valentina Andrade.


