A AMB (Associação Médica Brasileira) recebeu 2.513 denúncias de falta de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) em estabelecimentos de saúde públicos e privados em todo o País. Materiais como máscaras, luvas e capotes impermeáveis são necessários para evitar a propagação da covid-19 entre os profissionais da saúde que atendem casos confirmados e suspeitos da doença. O total de queixas foi registrado até domingo (29) em 520 municípios do Brasil.

Materiais como máscaras, luvas e capotes impermeáveis são necessários para evitar a propagação da covid-19
Materiais como máscaras, luvas e capotes impermeáveis são necessários para evitar a propagação da covid-19 | Foto: Isaac Fontana/Framephoto/Folhapress

No Paraná, 112 denúncias foram formalizadas em 38 cidades. Profissionais de Curitiba (22), Maringá (13), Araucária (8), Apucarana (8), Paranaguá (6), Pinhais (5), Campo Largo (4) e Londrina (4) estão entre os que registraram reclamações.

O presidente da AMB, Lincoln Lopes Ferreira, afirma que as queixas são necessárias para orientar ações e investimentos no enfrentamento ao coronavírus. "A ideia é abrir um canal que nos mostre, infelizmente, tudo aquilo que nós, entidades médicas, já estamos denunciando há muito tempo que é o descaso com a saúde que ocorre em todo o território nacional. Ao mesmo tempo, temos agora um mecanismo básico de orientação para que os esforços estaduais e do Ministério da Saúde se concentrem onde a situação está mais crítica”, afirma. As denúncias são anônimas para evitar ainda mais prejuízos aos profissionais.

Para Ferreira, os governos estaduais e federal deveriam promover a união do empresariado para produzir insumos com a concessão de incentivos para alavancar a fabricação dos itens essenciais no atendimento aos pacientes.

“Estamos diante de uma doença bastante infecciosa. Com a falta de EPIs, nós vamos ter aí um alto índice de exposição à contaminação dos profissionais da saúde, o que faz com que a força de trabalho se reduza. Ao mesmo tempo, existem pessoas que não apresentam sintomas, mas são portadoras do vírus e apresentam potencial altamente contaminante. O profissional da saúde pode colocar a sua saúde e a sua vida em risco e, ao mesmo tempo, colocar a saúde dos pacientes, da própria família e do entorno em risco”, ressalta.

Conforme a AMB, a maior parte das denúncias (855) veio do estado de São Paulo, que também lidera o número de casos confirmados da doença. Do total contabilizado no Estado, 250 reclamações foram feitas da capital paulista. As demais cidades com maior número de queixas dos profissionais são Rio de Janeiro (148), Porto Alegre (128), Brasília (73), Belém (63), Caçapava (59), Belo Horizonte (48), Recife (36), Teresina (31), Campo Grande (31) e Santos (31). As denúncias anônimas foram recebidas de todos os estados do País.

Máscaras (88%), óculos (72%) e capotes impermeáveis (65%) são os principais itens reivindicados. Os profissionais também reclamaram da falta de gorros (46%), álcool gel (35%) e luvas (27%). “Nosso sistema de saúde já é cronicamente sobrecarregado. [...] Não adianta coragem ou disposição. É uma doença infecciosa e potencialmente mortal. Nessa situação, o que se exige são os fundamentos técnicos necessários para combater a doença”, completa.

Ao receber as denúncias, a associação entra em contato com o estabelecimento que registra falta de EPIs e notifica o Ministério da Saúde, os conselhos regionais de Medicina, as secretarias municipal e estadual de Saúde e outras autoridades que atuam no setor. Os nomes das instituições não foram revelados.

No Hospital Universitário de Londrina, referência para atendimentos de casos graves de coronavírus, a Assuel Sindicato (que representa servidores do setor técnico-administrativo) registrou reclamações de funcionários sobre a falta de alguns EPIs.

“Nós estamos passando por uma situação complicada porque o hospital já estava lotado antes da chegada do vírus. Agora, está sobrecarregando mais ainda. Com isso, começou a faltar alguns equipamentos como máscaras, mas Londrina ainda está um pouco mais confortável em relação a outras cidades e estados”, declara o presidente da Assuel Sindicato, Arnaldo Mello.

Já a superintendente do HU, Vivian Feijó, garantiu que não faltam itens de EPI no hospital. Além dos novos pedidos para a compra de máscaras, doações realizadas nas últimas semanas têm ajudado as equipes no dia a dia.

“De forma a prever um aumento de demanda estimada, o hospital vem se organizando. Em unidades públicas como a nossa, os processos de compra, muitas vezes, não ocorrem na mesma velocidade que a necessidade e a chegada de novos pacientes. [...] A solidariedade vem somar e potencializar a nossa condição de atendimento de forma mais segura e organizada”, explica.

Conforme Feijó, parcerias com indústrias têxteis têm agilizado a confecção das chamadas roupas privativas para os funcionários. Protetores faciais, desenvolvidos com o apoio de uma startup, devem ser entregues em breve. Máscaras também têm sido doadas por empresas de Londrina e região.

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