Brasília, 30 (AE) - A Associação Nacional do Transporte Rodoviário de Carga (NTC) acusou hoje o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de São Paulo (Sindicam/SP) de não encerrar a greve dos caminhoneiros. A NTC comunicou na tarde de hoje aos ministros Eliseu Padilha (Transportes) e José Carlos Dias (Justiça) que 2 mil carretas ainda estão impedidas de prosseguir viagem na Rodovia Belém-Brasília.
"O tráfego de peças e produtos acabados entre São Paulo e a Zona Franca de Manaus está parado", disse o diretor-executivo da NTC, Alfredo Peres. "Nem conseguimos mandar peças para Manaus, nem trazer os produtos de lá", afirmou. Segundo ele estão prejudicadas a produção e o transporte de eletro-eletrônicos, além de motocicletas e bicicletas produzidas na Zona Franca.
Além disso, segundo o presidente da Federação das Empresas de Transporte da Amazônia, Irani Bertolini, mesmo com o fim anunciado do movimento, os caminhoneiros em Tocantins não estão permitindo o transporte de alimentos para a região amazônica. "Eles trancaram a rodovia e não passa carga", disse Bertolini. "O abastecimento de parte da região também está prejudicado".
No fax enviado aos ministros da Justiça e dos Transportes, a NTC pede que seja garantida a liberação dos veículos na região. As carretas estão retidas na localidade de Aliança do Tocantins, a 40 quilômetros de Palmas. Os empresários advertiram o governo sobre a continuidade de conflitos entre motoristas na região.
Segundo Peres, as reivindicações dos caminhoneiros são as mesmas do movimento nacional. A retenção dos caminhões na Belém-Brasília começou com 300 veículos na última sexta-feira, antes do início da greve em todo País. "Depois, eles nos disseram que iriam aderir ao movimento nacional", disse Peres.
As negociações entre os empresários e os trabalhadores está interrompida. "Não reconhecemos este sindicato para negociar", disse Bertolini. Segundo ele, os empresários já vinham negociando com o Sindicato dos Transportadores Multimodais (Sindimodal), com quem já haviam acertado um reajuste de 11% nos fretes, a partir de março.
Na quinta-feira os ministros da Justiça e dos Transportes concluíram uma negociação com o porta-voz do Movimento União Brasil Caminhoneiro (UBC), Nélio Botelho, que garantia o fim da greve em todo o País. Segundo a assessoria do Ministério dos Transportes, o governo já tinha conhecimento do movimento dos caminhoneiros no Tocantins, que inicialmente não fazia parte da paralisação nacional, mas aderiu a ela depois.

mockup