Associação culpa Petrobras e ANP por acidente na P-36
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de agosto de 2001
Rodrigo Morais<BR>Agência Estado<BR>Do Rio de Janeiro 
Ao divulgar, ontem, uma análise do relatório da Petrobras sobre o naufrágio da plataforma P-36, em março, na Bacia de Campos, no Rio, o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira, apontou a estatal e a Agência Nacional de Petróleo (ANP), como as grandes responsáveis pelo acidente. A associação responsabiliza também a Marítima, empresa responsável pelo projeto, fabricação e montagem da estrutura da embarcação.
Indicando uma série de erros inexplicáveis, que resultaram no afundamento, Siqueira critica a comissão da Petrobras por ter descartado sumariamente a hipótese de sabotagem, e coloca em dúvida a imparcialidade do grupo, criado pela estatal para investigar o acidente. A ANP é considerada culpada por ter apressado o início da produção no campo petrolífero de Barracuda e por supostamente ter falhado na fiscalização, uma de suas competências.
A sabotagem é um fato concreto, que tem acontecido em várias empresas e aumentou a partir das privatizações. Não é um delírio. Ajuda a minar o prestígio internacional da Petrobras e coloca a opinião pública contra a empresa, afirmou Siqueira. Ele acredita que seria fácil infiltrar sabotadores entre os funcionários da plataforma. A razão? Facilitar o processo de privatização em curso desde a quebra do monopólio no setor.
Entre as falhas consideradas estranhas e não-explicadas pela Aepet, algumas se destacam: a demora de 54 minutos no acionamento da bomba de um dos tanques de drenagem de emergência (TDE) da plataforma e a falha na válvula de outro TDE, o que causou a primeira explosão. Os engenheiros citaram também falhas no equipamento responsável por dar mais flutuação à embarcação.
Não foi uma fatalidade, mas uma série de erros difíceis de explicar. Todo mundo sabia que a bomba só poderia ser acionada localmente, e não por meio do painel de controle, como foi feito, afirmou Siqueira, para quem a válvula, mesmo se defeituosa, deveria ter se comportado de outra maneira.
A Petrobras não quis se pronunciar sobre o assunto. Procurada, a ANP não retornou a ligação da reportagem.


