Curitiba- Será encerrado amanhã no Cietep, em Curitiba, o XIV Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas. A gestão dos recursos hídricos é o principal tema das palestras, conferências e mesas-redondas do evento promovido pela Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas). Paralelamente, está sendo realizada a Feira Nacional da Água, com produtos relacionados à utilização de recursos hídricos e aberta ao público.
Carlos Giampá, conselheiro vitalício da Abas, comentou que o debate sobre a gestão da água é obrigatório diante da perspectiva de esgotamento de recursos naturais. ''O Brasil tem um volume de água per capita alto e um consumo considerado baixo. Então por que falta água em algumas regiões? Porque falta gerenciamento'', disse Giampá.
O conselheiro explicou que desde a Constituição de 1988 a gestão dos recursos hídricos cabe aos Estados. ''Mesmo dentro do plano nacional de recursos hídricos, cada Estado tem que ter o seu planejamento. No Brasil, a gestão da água subterrânea sempre foi deixada meio de lado. A gestão desses recursos começou muito depois da gestão das águas superficiais, que são abundantes no País e que sempre foram muito mais utilizadas'', explicou o especialista.
Giampá apontou que atualmente, com cada vez mais problemas de escassez, mudanças climáticas e poluição de rios, a melhor utilização da água subterrânea é um imperativo. Mas a gestão dos recursos enfrenta muitos desafios.
''A Agência Nacional da Água (ANA) precisa ter autonomia. Avançamos um pouco quando se possibilitou a divisão do Brasil em bacias, administradas por comitês. Mas é preciso regulamentar a cobrança pela utilização das bacias. Os comitês e a ANA não têm estrutura suficiente para fiscalizar, realizar estudos, definir como será a exploração. Dessa forma, a clandestinidade impera. Estima-se que em São Paulo 90% dos poços são clandestinos'', afirmou Giampá.
O Brasil tem à disposição recursos valiosos, como o aquífero Guarani, que, segundo o conselheiro, tem aproximadamente 80% da sua extensão no País. ''Os entraves são a burocracia estatal e a falta de definições de metas objetivas. É necessário fazer um estardalhaço, mostrar que se não for tomada alguma medida, vai faltar água'', comentou Giampá.

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