Curitiba - A diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró-Genéricos), Vera Valente, esteve ontem em Curitiba para participar de um encontro com farmacêuticos e balconistas de farmácias. Na reunião, foram divulgadas informações a respeito das leis brasileiras sobre venda de medicamentos. Na capital paranaense, é comum a chamada troca ilegal de receita, quando os profissionais que trabalham em farmácia oferecem ao comprador um produto similar em vez daquele que foi recomendado pelo médico ou do respectivo genérico.
Numa pesquisa do Instituto Ipsos Opinion realizada em Curitiba, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, um consumidor não identificado ia até uma farmácia e requisitava um medicamento oralmente ou através de receita. Em Curitiba, 41% dos farmacêuticos e balconistas trouxeram um produto similar, diferente do solicitado ou do respectivo genérico. Tal porcentagem configurou o segundo pior índice do levantamento, atrás apenas de Recife (56%).
''A lei brasileira autoriza a troca do medicamento receitado apenas pelo genérico. Apresentar um similar é ilegal, pois este produto não passou por testes de bioequivalência para comprovar que possui a mesma eficácia terapêutica'', afirmou Vera.
''Este comportamento (dos profissionais que trabalham em farmácia de oferecer o similar) se divide em duas vertentes. Num primeiro caso, existe interesse pessoal do farmacêutico ou do balconista. Sabe-se que certas indústrias de medicamentos têm como política pagar bonificação para que o profissional que trabalha em farmácia tente vender os produtos delas. Uma segunda situação é o desconhecimento. A legislação da área de saúde mudou muito no Brasil nos últimos anos, e muitos profissionais não acompanharam'', explicou a diretora.
Dessa forma, a Pró-Genéricos, que representa 10 fabricantes de medicamentos que respondem por 93% do mercado brasileiro de genéricos, está realizando encontros em várias cidades brasileiras para orientar farmacêuticos e balconistas. ''Pretendemos dar informação e também colocar a pulga atrás da orelha dos profissionais que fazem a troca ilegal de receita devido a interesse pessoal. Estes precisam se lembrar de que podem estar colocando em risco a saúde do cliente'', concluiu Vera.

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