Assistente social diz que Savelli sabia sobre W.Sita
São Paulo, 15 (AE) - A assistente social Sandra Maria Monte, que coordenou o recadastramento de vendedores ambulantes na Secretaria das Administrações Regionais (SAR), afirmou hoje em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais ter informado o ex-secretário Alfredo Mário Savelli que a empresa W. Sita mantinha mostruários e escritório de vendas no bolsão do Largo da Concórdia com autorização de funcionários daquela secretaria. Ela também confirmou ter informado Savelli sobre as denúncias feitas por camelôs sobre pressão feita pela empresa para que comprassem as bancas. Do contrário, não receberiam o documento necessário para trabalhar no bolsão.
Depois disso, a SAR definiu o padrão das barracas e publicou as normas no Diário Oficial do Município. Em seguida, autorizou a distribuição de um folheto informativo esclarecendo que os ambulantes teriam de seguir apenas as normas de padrão, mas a compra era de livre escolha. Durante a distribuição e as explicações, disse, o ex-presidente da Ação Local - uma espécie de franquia da Associação Viva o Centro -, Lucio Santos, disse que a empresa tinha autorização de dois assessores da secretaria
conhecidos como Akira e Hélio - respectivamente o ex-chefe da Assessoria de Informática Akira Hyoshikawa e o ex-assessor do gabinete do ex-secretário Hélio Furmankiewicz, que tiveram prisão preventiva decretada a pedido da Polícia Civil.
Sandra disse ter procurado novamente Savelli, explicado o que estava ocorrendo. O ex-secretário, então, mandou retirar as barracas e teria feito uma acareação informal entre ela e Furmankiewicz, que segundo a assistente social negou conhecer as pessoas que haviam afirmado ter recebido autorização dele para manter a empresa no bolsão. "Depois, encontramos o Lúcio Santos na secretaria, ele confirmou conhecer o Hélio e ainda disse que a empresa W. Sita mantinha escritório na sede da Ação Local", contou Sandra. "Depois, conversei com o Hélio, que confirmou e disse ter negado porque tinha medo". Além de Furmankiewicz, segundo Sandra, o Hyochikawa teria "se intrometido" no recadastramento e "impedido" que o serviço fosse desenvolvido. "Na reunião que íamos esclarecer os limites, fui informada pelo secretário que o nosso serviço tinha acabado e o recadastramento voltaria para a Administração Regional da Sé", afirmou Sandra.
O presidente da CPI, José Eduardo Martins Cardozo (PT), disse que o depoimento de Sandra revela indícios de um suposto esquema de favorecimento da empresa W. Sita. "Teremos a oportunidade de saber porque o ex-secretário Alfredo Mário Savelli não pediu uma averiguação formal, após ser informado de fatos suspeitos", afirmou.
O depoimento de Savelli está marcado para amanhã, mas até o começo da noite os funcionários da CPI não haviam localizado o ex-secretário. A reportagem tentou entrar em contrato com Savelli, em sua empresa, mas a secretária informou que ele não trabalharia hoje e não soube dizer o telefone do advogado que o representa. (F.M.)





