Curitiba - Com 1.316.554 de habitantes, os idosos representam 12,6% da população do Paraná. Apesar disso, o descaso com as pessoas da terceira idade ainda é grande. Questões como programas de acessibilidade, gratuidade no transporte público e programas de saúde específicos ainda não atendem com total eficiência as pessoas nessa faixa etária.
A solução mais comum adotada por familiares, que é deixar os mais velhos nas Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPI), mais conhecidas como asilos, ainda é a mais comum no Estado.
De acordo com levantamento feito pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) sobre os Serviços de Atenção ao Idoso nos Municípios do Paraná 2010, 73,16% dos municípios não contam com uma forma alternativa de atendimento. ''Isso é preocupante porque muito idoso está asilado, abandonado ou está sendo subatendido. Essa forma de acolhimento é a última solução, para quem não tem família, por exemplo', defendeu a procuradora de Justiça Rosana Beraldi Bevervanço, responsável pelo estudo divulgado ontem, na sede do MP-PR, em Curitiba.
Dos 399 municípios do Paraná, 347 responderam ao questionário da pesquisa. Deste total, 236 têm conselho municipal do idoso e 111 não possuem. Dos 236 com a instituição, 183 são atuantes. Desse total, 113 não fiscalizam a situação dos asilos (61,75%) e 70 realizam essa ação (38,25%).
Do total de 347 municípios, 220 não têm asilos (63,61%). ''É importante discutirmos o que é melhor para o idoso. Alternativas ao asilamento são essenciais. Além disso, direitos previstos no Estatuto do Idoso, como a garantia de acessibilidade, gratuidade no transporte público, opções de lazer e cultura, têm que ser cumpridos. Tudo isso deve ser oferecido em um munícipio, mas a situação é preocupante e, em alguns casos, gravíssima', destacou Rosane.
''Tínhamos uma noção da situação, mas com os dados percebe-se a gravidade da questão. O Estado tem que trabalhar muito para atender com dignidade a população idosa'', ressaltou a procuradora.
Segundo o procurador-geral do MP-PR, Olympio de Sá Sotto Maior Neto, o Estatuto do Idoso não pode ficar somente como mero conceito. ''Os direitos têm que ser cumpridos integralmente. Com esse levantamento o MP-PR quer discutir e trabalhar conjuntamente com outros órgãos e com a sociedade civil para atuar em cooperação', afirmou.

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