Recife, 05 (AE) - A assinatura, hoje, de um convênio para a instalação do Centro de Solidariedade ao Trabalhador no Recife foi transformada numa festa pefelista, com elogios e afagos entre representantes da Força Sindical e do governo federal.
Não faltou sequer o lançamento da candidatura do vice-presidente Marco Maciel (PFL) à Presidência da República.
"Nós não temos medo de acarajés, é de equilíbrio que o Brasil precisa", afirmou o diretor da Força Sindical de Pernambuco, Marco Aurélio Medeiros (numa referência à possível candidatura do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães), sendo aplaudido por uma platéia composta pelo ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, o senador José Jorge PFL, o líder do partido na Câmara dos Deputados, Inocêncio Oliveira (PE), pelo menos outros três deputados federais, deputados estaduais e o prefeito do Recife, Roberto Magalhães (PFL).
Ao anunciar o discurso de Maciel, que encerraria a solenidade, o locutor apresentou-o como "presidente de Pernambuco e vice-presidente da República". A assinatura do convênio ocorreu no mesmo tempo da inauguração do Centro de Educação e Formação Profissional da Força Sindical, na Rua da Concórdia, que ganhou o nome de José do Rêgo Maciel, em homenagem ao pai do vice-presidente, que tem 92 anos de idade e compareceu ao evento.
Nesse clima, o presidente nacional da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, desistiu - a pedido do vice-presidente - de fazer o único discurso crítico ao governo Fernando Henrique Cardoso. Ele deixou para fazer as críticas em entrevista à imprensa. Embora considere importante o trabalho do Centro de Solidariedade ao Trabalhador - idealizado pela Força Sindical e apoiado pelo governo federal -, Paulinho considerou-o apenas como uma compensação à crise de desemprego que atravessa a população brasileira.
"A gente tenta facilitar a vida do desempregado e tratá-lo com dignidade, mas falta o principal, que é emprego", afirmou. "O governo federal tem grande responsabilidade por isso, com a sua política econômica e ao investir errado", disse
exemplificando com a instalação da montadora da Ford na Bahia. "É uma vergonha o governo financiar, através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), R$ 700 milhões para a construção de uma fábrica multinacional que não precisa de dinheiro e ainda por cima teve todo tipo de isenção fiscal."
Ele lembrou que todo esse investimento é para criar 700 empregos, o que significa R$ 1 milhão por emprego, enquanto um emprego na zona rural sai por R$ 2,5 mil. Maciel rebateu o argumento, ao frisar que a montadora é um empreendimento estruturador, com o poder de criar um pólo de desenvolvimento no Nordeste.
O Centro de Solidariedade ao Trabalhador deverá começar a funcionar em setembro, nos mesmos moldes do de São Paulo. O convênio para a instalação, no valor de R$ 2,7 milhões - Força Sindical e Ministério do Trabalho - prevê o atendimento de 1,5 mil trabalhadores desempregados por dia e recolocação de 20% deles no mercado, por meio da identificação das necessidades de mão-de-obra nas empresas. Em princípio, há 400 vagas para requalificação profissional, com cursos nas áreas de informática
serviços e telefonia.
Pernambuco foi escolhido para ser o segundo Estado a contar com o centro porque, além da influência do vice-presidente, o Recife é a capital brasileira campeã de desemprego, com um índice de 23%. Em São Paulo, o centro conseguiu, em um ano, reempregar 45 mil trabalhadores e qualificar 80 mil com cursos profissionalizantes.

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