'Assexualidade não é transtorno'
Disposta a contribuir com o tema no âmbito sociológico, a pedagoga Elisabete Baptista de Oliveira, pesquisadora da Ecos - Comunicação em Sexualidade e integrante da Rede de Gênero e Educação em Sexualidade (Reges), desenvolve sua tese de doutorado sobre o assunto. Ela também possui um blog na internet, onde comenta e divulga textos sobre o tema.
De acordo com ela, ainda não há consenso sobre o que seria, de fato, a assexualidade. ''Acredito que devemos começar dizendo pelo que o assexual não é. Ou seja, não é aquele que sentia atração e depois parou de ter; decidiu pela abstinência; alguém que tem algum problema fisiológico ou hormonal; ou ainda, que teve um trauma'', diferencia a pedagoga, dizendo que até hoje o assunto só é tratado pelo prisma da medicina. ''Esta, por sua vez, só olha para o campo biológico. A sexualidade também é cultural e social'', enfatiza.
Apesar de haver variações, a característica que os iguala, segundo Elisabete, é a falta de atração sexual por outras pessoas. ''Desejo é diferente de atração. O assexual pode ter libido, mas esse desejo simplesmente não é direcionado para outra pessoa.'' Isso, porém, não os impede de ter relacionamentos românticos, pois fazem a distinção entre amor e sexo. ''Os que querem ter relação afetiva, acreditam que este é composto por várias facetas, como envolver-se emocionalmente'', complementa.
Obrigatoriedade do sexo
O maior entrave, então, estaria baseado na premissa de que o desejo sexual é biológico e universal. Por este motivo, segundo ela, muitos assexuais acabam tendo uma trajetória sexual ao longo da vida. ''Se a pessoa não tem desejo, é vista como um problema e que, necessariamente, traz infelicidade e angústia. Felizmente, agora, a assexualidade tem sido associada à falta de atração sexual e não com o comportamento sexual. A discussão deve ser em torno não do que a pessoa faz, mas do que ela sente.'' (M.T.)





