Assessoria de Bresser minimiza declarações do ministro
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segunda-feira, 21 de junho de 1999
Por José Ramos 
Brasília, 22 (AE) - A assessoria do ministro da Ciência e Tecnologia, Luiz Carlos Bresser Pereira, procurou no início da noite a AGÊNCIA ESTADO para dar uma nova versão às declarações do ministro feitas na manhã de hoje, sobre o Ministério da Fazenda. Segundo a assessoria, ao falar sobre a "burrice de algumas pessoas", o ministro não estaria se referindo à equipe econômica, que resiste em prorrogar os incentivos fiscais concedidos à indústria de informática. Os incentivos acabarão em outubro.
Segunda a assessoria, o ministro estaria querendo dizer que "é uma burrice imaginar que o governo não iria propor ao Congresso uma lei" prorrogando os benefícios. Ao dar uma nova explicação para suas palavras, o ministro procura anular a possibilidade de nova crise no governo. As palavras de Bresser foram pronunciadas em entrevista no fim da manhã de hoje, quando ele chegou ao Senado para participar de um debate sobre Incentivos Fiscais para a Capacitação Tecnológica. O painel fazia parte da I Reunião da Aliança Estratégica para Promoção da Inovação Tecnológica. Quando perguntaram ao ministro sobre a prorrogação dos incentivos fiscais, ele disse que o Ministério da Fazenda ainda não havia se pronunciado a respeito do o assunto.
Bresser fez a defesa da prorrogação e criticou os Estados Unidos por pressionarem o Brasil contra o uso de incentivo ao mesmo tempo em que concedem fortes incentivos à pesquisa nas empresas norte-americanas. Disse ainda que a defesa dos incentivos nos Estados Unidos é feita pelos republicanos e aconselhou o Brasil a seguir menos o que os americanos dizem. Perguntaram ao ministro se a Fazenda havia dado algum prazo para se manifestar sobre o assunto. Em resposta, Bresser ficou um bom tempo sorrindo, sem pronunciar uma palavra. Um repórter lhe perguntou, então, se o presidente da República não iria arbitrar a questão entre os dois ministérios. Bresser disse que o presidente iria arbitrar e que já havia dado vários sinais de que desejava a prorrogação dos incentivos. "Mas tem gente que é burra e não entende o que o presidente deseja", afirmou o ministro, encerrando a entrevista.


