Assessora pode estar morta
Agência Estado
De Brasília e
de Cuiabá
A Polícia Federal (PF) informou ter encontrado ontem à tarde um corpo parcialmente carbonizado, em Cáceres, na divisa de Mato Grosso com a Bolívia, que poderá ser da funcionária do juiz Leopoldino Marques do Amaral, encontrado morto no dia 7, Beatriz Árias, desaparecida há uma semana. A família de Beatriz foi chamada a fazer o reconhecimento, o que deverá ocorrer hoje.
A família da ex-assessora protocolou ontem documento na Ordem do Advogados do Brasil (OAB) de Mato Grosso, pedindo segurança. Eles alegam que estão recebendo ameaças de morte com o desaparecimento de Beatriz. O procurador da República no Estado, Pedro Taques, e o juiz federal Jeferson Schneider, negaram o pedido de prisão contra Beatriz e o tio dela, Marcos Peralta, que vem a ser o homem do retrato falado que está sendo procurado pela PF. Por coincidência, o Diário Oficial da Justiça publicou ontem que a escrivã está de licença médica desde o dia 2, conforme autorização do diretor do Fórum Cível, juiz Manoel Ornelas, um dos acusados de vender sentenças.
O ministro Hélio Mosimann, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou, por meio de uma notícia-crime, que o Ministério Público (MPF) e a Polícia Federal (PF) investiguem os desembargadores acusados por corrupção pelo juiz Leopoldino Marques do Amaral, que foi assassinado. O despacho, assinado ontem pelo ministro, pede que a PF do Mato Grosso ouça os desembargadores, dentre os quais o presidente do TJ daquele Estado, Wandyr Clait Duarte, num prazo de 30 dias.
Mosimann transformou em notícia-crime a representação do juiz, que chegou ao STJ no dia 8, em que ele denunciava que estava sofrendo intimidação dos desembargadores em razão das denúncias encaminhadas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário. Amaral acusou magistrados de praticar abuso de poder ao aplicar restrições ao exercício da função, e determinar que ele e a família fossem vigiados.
Ainda ontem, uma fita cassete foi entregue à Polícia Federal (PF) revelando que as denúncias por crime de peculato que pesam contra o juiz Amaral foram forjadas dentro do Fórum Cível de Cuiabá. O denunciante do juiz, Benedito Lemes da Silva Neto, office-boy de Amaral e autor das denúncias, confessa que foi pressionado a mentir.





