Assessora do BC diz que BC discutiu liquidação do Marka
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domingo, 02 de maio de 1999
Por Adriana Fernandes e José Ramos 
Brasília, 03 (AE) - A chefe do Departamento de Fiscalização do Banco Central, Tereza Cristina Grossi, afirmou há pouco aos senadores da CPI do Sistema Financeiro que o BC discutiu a possibilidade de liquidação do Banco Marka. Segundo ela, essa foi uma das possibilidades avaliadas no BC. Tereza Grossi disse que, no final da tarde do dia 14 de janeiro, o então diretor de Fiscalização do BC, Cláudio Mauch, lhe disse que a diretoria do Banco Central havia decidido que não haveria quebra de banco.
Ela afirmou que a diretoria, naquele momento, não queria que houvesse risco de uma liquidação extrajudicial ser associada, no dia 14, a um alargamento da banda cambial e à mudança na política cambial. Tereza Grossi, para reforçar essa posição da diretoria do BC, lembrou que a corrida aos bancos verificada no dia 29 de janeiro em todo o País foi provocada a partir de um simples boato disseminado em Brasília . "Não é que a diretoria sabia que podia haver uma corrida, mas esse foi um dos aspectos levantados pela diretoria", disse.
A chefe do Departamento de Fiscalização do Banco Central (BC) afirmou não ser verdadeira a informação do ex-dono do Banco Marka Salvatore Cacciola, de que ela teria autorizado a transferência de 2.300 contratos do Fundo Inovation, do Banco Stock Máxima para o Banco Marka. Tereza Grossi disse que, no dia 13, por determinação de seu então superior (ela era chefe-adjunta do Departamento), Cláudio Mauch, recebeu Alberto Cacciola acompanhada do funcionário do Departamento de Fiscalização Vânio Aguiar e o consultor da diretoria do BC Alexandre Pundek. Tereza Grossi relatou que, no encontro, Cacciola contou os problemas do Banco Marka e falou de sua excessiva exposição na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).
Depois da reunião, segundo ela, fez um relato ao diretor Cláudio Mauch e foi imediatamente acionada a fiscalização no Rio de Janeiro para que se dirigisse ao Banco Marka. O objetivo da providência, naquele momento, era o de confirmar se o relato de Cacciola era correto. Tereza Grossi contou ainda aos senadores da CPI que, no dia 13, falou por telefone com Edemir Pinto, então diretor da BM&F e hoje superintendente-geral, para confirmar informações sobre a quantidade de contratos que o Banco Marka tinha na BM&F. "Tínhamos que ter certeza de que as operações (do Marka na BM&F) não tinham sido iniciadas na véspera", explicou. Ela disse que o BC obteve a informação de que as operações tinham sido iniciadas em dezembro de 98 e que, no dia 13, o Marka passou de 9 mil contratos para 11 mil contratos.


