Uma funcionária pública municipal que trabalha diretamente como assessora no gabinete do prefeito Nedson Micheleti foi denunciada por uma colega de trabalho pelo crime de racismo. No dia 25 de março, ao saber da transferência da colega para a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), a servidora teria comentado que o órgão iria ter mais ''macacos''. A denúncia foi feita ao chefe de gabinete, Rodne de Oliveira Lima, no dia 10 de março e a parte ofendida reclama que até o momento não recebeu nem um telefonema da administração informando sobre o encaminhamento dado. A presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, Lusinete Barbosa dos Santos, disse que toda a comunidadade negra se sentiu ofendida.
No ofício encaminhado a Lima, a assessora agredida (que pediu para não ser identificada) relata que, no dia 25 de março, em uma conversa informal no gabinete do prefeito, ela teria comentado com a autora da agressão, na presença de mais duas pessoas, que havia sido chamada para trabalhar na Sema. Neste momento, a colega teria feito o seguinte comentário: ''...agora a Sema vai ter mais dois macacos''. A ''brincadeira'' de péssimo gosto fazia alusão à transferência da colega e à ida para a mesma secretaria de outro funcionário também negro.
A vítima relata que ficou chocada e, no primeiro momento, tomou a agressão como algo pessoal. Após alguns dias, passou a se sentir ''profundamente incomodada'' porque ela faz parte do Conselho de Igualdade Racial e foi trabalhar no Executivo justamente para atuar na promoção da igualdade entre as raças. ''Especialmente para nós, negros e negras, sermos chamados de 'macaco' significa a condição mais definitiva da hierarquia que nos colocam na sociedade, ao nos dizer com 'sutileza' qual é o lugar (inferior) que nos cabe'', argumenta na denúncia.
Empossada em 28 de março como a primeira presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial e militante do Movimento Negro, Lusinete se disse ''irritada'' e ''chocada''. ''De um governo que tem discutido estas questões, a gente esperava que fossem tomadas providências enérgicas e até agora não vimos nada disso'', criticou. Ela avisa que a agressão não vai ser esquecida.
O chefe de gabinete do prefeito argumentou que não houve ''frieza'' nem tentativa de abafar o caso porque assim que soube da reclamação orientou a vítima a formalizar a denúncia que ele classificou como ''muito grave''. Segundo Lima, a sindicância instaurada tem cinco dias prazo para publicação; 10 dias para as intimações e 90 dias, a contar da data da instalação, para a conclusão.

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