Curitiba - A Polícia Federal (PF) prendeu ontem, durante a Operação Fractal, 22 pessoas nas cidades de Curitiba, Maringá e Foz do Iguaçu. Entre os presos estão um assessor de um deputado estadual, oito policiais militares (sendo três oficiais), policiais rodoviários e um investigador da Polícia Civil. Além disso, agentes da PF cumpriram 40 mandados de busca e apreensão e 29 mandados de condução coercitiva (encaminhados para prestar esclarecimentos) em seis municípios paranaenses e em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, contra suspeitos de participar de uma quadrilha especializada em contrabando de cigarros e exploração de jogos de azar.
Conforme a PF, as ações ilegais eram lideradas por Elieuton Francis Mayer, assessor do deputado estadual Waldyr Pugliesi (PMDB) e por três oficiais da Polícia Militar (PMPR). A PF diz, porém, que não há indícios de envolvimento do político no esquema. Os nomes dos policiais não foram divulgados.
As ordens judiciais da Operação Fractal foram executadas por 250 policiais federais nas cidades de Curitiba, Maringá, Medianeira, Foz do Iguaçu, Faxinal e Matinhos. Houve também ações em Porto Alegre e Canoas, no Rio Grande do Sul, e Laguna e Joinville, em Santa Catarina.
Segundo a PF, os policiais facilitavam a passagem de mercadorias da organização criminosa e extorquiam contrabandistas de grupos concorrentes. Parte dos produtos apreendidos era desviada. Oficiais da PM, de acordo com a investigação, também aliciavam outros policiais de equipes móveis para colaborar com o grupo. A quadrilha também atuava no ramo dos jogos de azar, segundo a PF.
"As mercadorias vinham do Paraguai, entravam pela fronteira, seja em Foz do Iguaçu ou Guaíra, e percorriam as estradas do Paraná. Policiais faziam a facilitação para que os veículos que trafegavam não fossem incomodados. E através de sua influência política (os integrantes da quadrilha) tentavam promover lotações que interessavam à rede. Quando se sentiam ameaçados pela modificação ou troca de comando, tentavam interferir nas nomeações'', relatou o delegado da PF José Alberto de Freitas.
As investigações começaram em 2010, após representação do Ministério Público Federal (MPF) de Umuarama. A PF disse também que a movimentação possibilitou a acumulação de grande patrimônio por parte dos integrantes da quadrilha. Parte dos imóveis adquiridos nos três Estados do Sul foi bloqueada por decisão judicial.

Indícios
Ainda segundo investigações da PF, a quadrilha tentou "derrubar" o comandante-geral da PMPR, coronel Roberson Luiz Bondaruk, porque ele não cedeu ao tráfico de influência.
O secretário de Segurança Pública, Cid Vasques, também lembrou da existência de uma gravação em que integrantes da quadrilha reclamavam da ascensão de Bondaruk ao posto, em novembro de 2011. Freitas, coordenador da operação, confirmou a existência do documento.
O comandante-geral afirmou que encara a informação com naturalidade. "Meu trabalho é apenas aplicar o que a lei determina. Muitas vezes isso acaba tendo, por setores envolvidos com a criminalidade, reação adversa", ressaltou.

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