Assessor de Maria Helena é acusado de reter salários
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 19 (AE) - O ex-diretor-geral da Câmara Municipal e atual assessor parlamentar da vereadora Maria Helena (PL), Oswaldo Quintino da Silva, é acusado de ser o responsável pela retenção de parte dos salários dos funcionários do gabinete da parlamentar. Funcionário da Câmara há mais de 40 anos, Quintino já foi acusado de várias irregularidades administrativas e até de crimes, como o incêndio ocorrido num dos andares da Casa em 1989.
Segundo a ex-funcionária do gabinete Alessandra Cruz Garcia, todo dia 25 Quintino lhe entregava um envelope branco no qual estava escrita a quantia que ela deveria devolver do salário. Ela recebia R$ 4,7 mil, mas garante que só ficava com R$ 700,00. "Eu descia ao posto bancário, sacava o valor da minha conta, colocava o dinheiro no envelope e devolvia para ele", conta Alessandra. "Quase todos os funcionários do gabinete eram obrigados a fazer a mesma coisa."
Em 1989, Quintino ficou preso durante dois meses, acusado de ser um dos mandantes do incêndio que destruiu parcialmente o 13º andar do Palácio Anchieta, sede do Legislativo. O incêndio aconteceu em 17 de março. No dia anterior, o então presidente da Câmara, Eduardo Suplicy (PT), hoje senador, anunciara a abertura de uma auditoria, pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), para apurar irregularidades na tesouraria, contabilidade, setor de pessoal e serviços gerais da Câmara. Pára-raios - Na mesma semana, uma funcionária do setor administrativo tinha procurado Suplicy para denunciar o pagamento irregular do conserto do pára-raios do Palácio Anchieta. Segundo ela, a Câmara pagou duas vezes pelo mesmo serviço à empresa Progermo Construções.
O segundo pagamento tinha sido autorizado por Quintino em fevereiro daquele ano, quando respondia pela direção da Casa. A Progermo devolveu o dinheiro com juros e correção monetária, mas Suplicy decidiu investigar a irregularidade. A auditoria deu início a uma série de investigações na Câmara. Foi aberta uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apurou denúncias como a da existência de funcionários fantasmas nos gabinetes e de uso irregular dos carros oficiais. Quintino foi acusado de participação em licitações fraudulentas. Procurado, ele não foi encontrado hoje para comentar a nova denúncia.


