Assessor de Lerner é nomeado superintendente do Incra no Paraná
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terça-feira, 04 de maio de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 05 (AE) - O assessor especial de Assuntos Fundiários do Governo do Estado, José Carlos de Araújo Vieira, 59 anos, foi nomeado superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Paraná. Ele substituirá Petrus Abib, que vai assumir uma assessoria no Ministério da Política Fundiária. Vieira não quis comentar nomeação, deixando para anunciar suas propostas durante a posse, segunda-feira (10), em Brasília.
A indicação de Vieira foi uma "surpresa" para o coordenador da União Democrática Ruralista (UDR) do noroeste do Paraná, Tarcísio de Souza. Mas ele a considera "coerente", em razão de o governo do Paraná ter defendido a descentralização da reforma agrária. "Não queremos nada do novo superintendente a não ser um trabalho sério e imparcial, não ficando de um lado nem de outro", disse Souza.
Segundo o coordenador da UDR, os dois últimos superintendentes (Abib e Maria de Oliveira, também chamada para assessorar o ministério) eram "bastante tendenciosos". "Não podíamos sentar para conversar porque eles só ouviam os sem-terra", acusou. "Agora, estamos confiantes que possamos vir a trabalhar juntos", acrescentou. "A UDR está de portas abertas para colaborar com a reforma agrária e encontrar a paz na terra".
Os coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) estavam viajando hoje. Sexta-feira, o MST e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) elaboraram uma carta denúncia na qual afirmam que a mudança na superintendência do Incra - "uma das principais bandeiras da bancada ruralista e dos latifundiários paranaenses" - iria agravar a situação de violência no campo "já que o próprio governador indicou o novo superintendente".
"De um lado, o governador tem o comando da Secretaria de Segurança Pública e da polícia estadual que, apesar de todas as denúncias, não sofreram nenhuma mudança até agora, o que garante a manutenção da parcialidade, da impunidade e da injustiça; e, por outro lado, ao que tudo indica, agora o comando do Incra", afirma a carta. "Com isso, podemos estar voltando às indicações políticas para o Incra, o que acaba desqualificando o trabalho", afirma o dicumento. Desarmamento - O assessor da Secretaria de Segurança Pública do Paraná, Valdir Bicudo, disse hoje que não houve "nada de anormal" no Estado. "Apenas está sendo intensificada a operação desarmamento", afirmou. "Agora, a orientação é para que sejam parados todos os veículos e que se entre nas fazendas onde houver denúncia de armamento".
Além da região noroeste, também o oeste do Estado deve ser rastreado pelos policiais. Ontem, o MST havia denunciado que a polícia se preparava para fazer reintegrações de posse de áreas em massa no noroeste. A operação desarmamento é criticada tanto pelos sem-terra quanto pela UDR. Segundo os sem-terra, somente eles são vítimas das operações policiais, enquanto a UDR afirma que o importante é a reintegração de posse das fazendas que tiveram o pedido julgado procedente pela Justiça. Já a Secretaria de Segurança afirma que a operação existe porque os dois lados ficam se acusando de que o outro está armado.
O comandante do 8º. Batalhão da Polícia Militar, em Paranavaí, no noroeste do Estado, disse que a operação não parou desde o dia 22, quando se iniciou. "Mas está tudo tranquilo", afirmou. No primeiro dia da operação foram presas três pessoas acusadas de terem matado Eduardo Anghinoni, irmão do líder sem-terra da região noroeste, Celso Anghinoni. Hoje, o delegado encarregado do inquérito, Luiz Norberto Canhoto, não estava na delegacia de Paranavaí. Segundo Valdir Bicudo, além da prisão dos três acusados, foram apreendidas até agora 17 armas brancas, duas escopetas e seis revólveres.


